Mandantes do crime permanecem impunes. João Batista, mártir da luta pela reforma agrária
O livro trata da vida do deputado João Carlos Batista, assassinado em 6 de dezembro de 1988, e de inúmeras lideranças de trabalhadores rurais assassinadas ao longo da década de 1980, todos mortos devido atuarem na luta pela reforma agrária, analisa as causas da concentração fundiária e da impunidade de manda
ntes e assassinos de crimes contra os trabalhadores rurais e seus defensores existente no país. A publicação é resultado de mais de 10 anos de pesquisas feitas pelo autor em documentos oficiais da Justiça do Pará, quando analisou o processo que julgou os assassinato de Batista, dezenas de entrevistas e a leitura de livros, artigos e matérias publicadas na imprensa brasileira. O deputado Batista, como era conhecido, foi o único parlamentar assassinado no Brasil, após o fim do governo militar. Atuou na reconstrução da União Nacional dos Estudantes, integrando a comissão nacional que organizou o Congresso de reconstrução da UNE, em 1979, em Salvador. Antes, porém, liderou a primeira greve de estudantes no Pará após as mobilizações de 1968. Como advogado e parlamentar dedicou-se inteiramente às questões agrárias e fundiárias. João Batista, mártir da luta pela reforma agrária faz uma análise sobre a questão no país, tendo como ponto inicial a saída da família do deputado do interior de São Paulo para a Amazônia em busca de terras, seguindo a propaganda dos militares, após 1964, que incentivaram a ocupação das terras do norte, com o slogan: “ocupar para não entregar”. O autor aponta a sua visão sobre as causas que levaram a concentração fundiária no país, mostra a ligação de autoridades com latifundiários, assegurando a impunidade dos que praticaram a violência contra colonos e seus defensores. O livro traz ainda a história de muitas lideranças que foram assassinadas entre 1965 e 2007, ano que a obra foi concluída. Batista, antes de ser assassinado, sofreu três atentados. No primeiro sido acertado o seu pai, Nestor Batista, no segundo, ele e mais dois companheiros Ezequias e Nilton, ficaram internados na UTI por vários dias. No terceiro atentado, os pistoleiros o atacaram durante a manifestação de 1º de maio de 1987, em Paragominas, tendo ocorrido um tiroteio e um pistoleiro foi justiçado pelo povo. Na quarta tentativa, o assassinaram na frente da esposa e dos filhos. O prefaciador, João Pedro Stédile, afirma que “esse livro é importantíssimo e vem em muito boa hora. Ele é um registro fiel das entranhas e detalhes da luta de classes na Amazônia naquele período”. João Batista, mártir da luta pela reforma agrária
2ª edição – Expressão Popular – 2009
278 p.