11/12/2020
Estava precisando fazer uma faxina em mim, dar uma repaginada, não poderia seguir triste assim. Jogar fora pensamentos indesejados, tirar o pó de alguns sonhos, reeditar desejos até então sufocados.
Remover do fundo das gavetas ideias equivocadas e ideais atrapalhados.
Dispensar ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca dei e frases que nunca completei.
Extinguir a raiva e o rancor das palavras azedas, guardadas num livro que escrevi e me despreendi por completo por não ser nem um pouco seleto.
Impaciente tirei tudo do armário joguei ao chão, lá se foram
paixões mal resolvidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca deveria ter proferido, mágoas de amigos sem gratidão, lembranças de um dia triste, noites de solidão.
No entanto, prevaleceram outros encantos. A garoa na tardinha com cheiro de terra molhada,
aquela gargalhada no cinema, o pôr do sol, o banho na cascata com água gelada, o canto da passarada.
Algumas mágoas deixei de lado para depois ver o que faria, se dispensaria ou daria o devido perdão, pois de nada adiantaria seguir com tamanha melancolia.
Repatriei com zelo e carinho o amor encontrado,
dobrei direitinho os desejos,
perfumei na esperança,
passei um paninho nas minhas metas
e deixei-as à mostra, ante minhas andanças. Vou reencontrar meus sorrisos futuros e expectativas de alegria, organizá-las nos porões da alma onde somente eu tenho acesso e lançar ao mundo em doses nada terapêuticas.
Como foi bom despertar para minha nova realidade, sigo em frente, nunca silente, otimista com novas conquistas.