03/04/2019
A IMPRENSA MAHON ADVERTE:
ESTAMOS POR UM FIO
O cinema nacional e o conteúdo brasileiro seriado independente para TV, VOD e outras janelas estão por um fio.
Nosso país é um dos maiores mercados audiovisuais no mundo. Não estou aqui falando só em produção de conteúdo, mas temos que pensar no que representamos enquanto consumidores de conteúdos audiovisuais no cinema, na TV, no streaming.
A indústria audiovisual cresce no país cerca de 9% ao ano, com grande geração de postos de trabalho temporários e permanentes, e movimenta cerca de 24,5 bilhões por ano.
Precisamos continuar fortalecendo a indústria por questões mercadológicas e simbólicas. Chegamos a média de 160 filmes brasileiros lançados nos cinemas por ano... Mesmo com o cinema em crise no mundo há janelas sem fim na TV aberta e fechada e no streaming que geram a famosa cauda longa onde o conteúdo segue um ciclo de consumo e geração de receitas. Os números de consumo de conteúdo brasileiro na TV por assinatura e streaming também só crescem. Consumimos cada vez mais conteúdos e amamos conteúdo brasileiro. Mas a indústria brasileira de cinema precisa de investimento e temos hoje um modelo onde os recursos principais do Fundo Setorial do Audiovisual são provenientes de uma taxa recolhida pela empresas de Telecomunicações. Ou seja, o mercado retroalimenta o mercado e o investimento do FSA. O FSA não usa recurso público!
Precisamos aperfeiçoar os sistemas de controle dos investimentos realizados pelo FSA mas teremos que trocar o pneu com o carro andando sob pena de matar a produção independente de séries, filmes, telefilmes no Brasil, além de fomento à formação e difusão.
O investimento do FSA / Ancine segue o modelo de vários países pelo mundo e fortalece nossas produtoras, distribuidoras e canais, gerando emprego, renda, circulação de filmes e séries brasileiras pelo país e pelo mundo, formação de novos profissionais.
Podemos estar perdendo o bonde da história caso o TCU e a Ancine não cheguem a uma conclusão viável para a continuidade de investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual.
Se isso parar agora a quebradeira de produtoras pequenas e médias que geram muitos postos de trabalho vai ser geral, além de termos um apagão na oferta de conteúdos brasileiros de qualidade no cinema, na TV por assinatura e outras janelas digitais.
Confio no bom senso do TCU em encontrar caminhos que solucionem as questões sem matar uma indústria importante para o país em momento de crise.
Precisamos acabar com esse obscurantismo e perseguição aos artistas e produtores de arte e cultura. A afirmação de uma parte da população de que não trabalhamos é a maior mentira e injustiça do mundo.
Por Minom Pinho da Casa Redonda
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