09/05/2016
PEÇAS INÉDITAS DOS ANOS 1960 GANHAM EDIÇÃO CRÍTICA
Livros reúnem peças de Augusto Boal, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Lauro César Muniz, Oduvaldo Vianna Filho e Plínio Marcos
Amanhã, 9 de maio, às 21 horas, o Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria de Cultura e o Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS) da USP lançam, no Teatro da USP, os dois últimos livros da série intitulada Cadernos de Teatro e Sociedade.
É a primeira vez que o espetáculo Primeira Feira Paulista de Opinião é publicado na íntegra, com todas as suas seis peças e quatro canções. O outro título, Peças do CPC, reúne peças e estudos de Oduvaldo Vianna Filho escritos entre sua saída do Teatro de Arena e a experiência do Centro Popular de Cultura, no Rio de Janeiro. Os livros foram realizados coletivamente pelos integrantes do Laboratório da USP, com coordenação editorial de Sérgio de Carvalho.
Durante o lançamento haverá uma mesa de debates com Lauro César Muniz, Julian Boal e convidados especiais, com mediação de Sérgio de Carvalho.
Primeira Feira Paulista de Opinião
Dentre os espetáculos teatrais mais importantes da década de 1960, a Primeira Feira Paulista de Opinião é dos menos lembrados e algumas das peças que integraram a encenação permaneceram inéditas até esta edição. Com raras exceções, o espetáculo não foi compreendido em sua capacidade notável de articular passado e futuro das experiências dramatúrgicas do período, nem por indicar conexões não especializadas entre artistas de diversas áreas.
A Feira procurou fazer com que o espetáculo vazasse para além da sala de apresentações. No saguão, obras de diversos artistas plásticos (Jô Soares, Marcello Nitsche, Nelson Leirner, Cláudio Tozzi, Mário Gruber, entre outros). No palco obras de cinco dos mais destacados dramaturgos do período (O líder, de Lauro César Muniz, É tua a história contada?, de Bráulio Pedroso, Animália, de Gianfrancesco Guarnieri, A receita, de Jorge Andrade, Verde que te quero verde, de Plínio Marcos, e A lua muito pequena e a caminhada perigosa, de Augusto Boal) entremeadas por canções de Ary Toledo, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Sérgio Ricardo, além de uma suíte orquestrada de Edu Lobo.
Sua estreia no Teatro Ruth Escobar, no dia 7 de junho de 1968, mobilizou a categoria artística num ato de desobediência civil sem precedentes em reação à imposição de 84 cortes pela censura, que há pouco tempo havia se tornado federal. Naquela sexta-feira, dezenas de artistas deixaram de apresentar seus espetáculos para subir ao palco do Ruth Escobar para ler um manifesto. Em seguida, o conteúdo integral do espetáculo foi encenado. Dias depois, após intervenção judicial e pressão da categoria artística, a peça foi liberada.
Esta edição crítica reúne pela primeira vez todas as peças e canções de Feira Paulista de Opinião, além de reunir depoimentos, imagens e um vasto material documental com textos que originaram algumas das peças, críticas e uma sequência de textos jornalísticos relacionados ao processo de censura e à entrega dos prêmios Saci ao jornal O Estado de S. Paulo.
Peças do CPC
A primeira peça A mais-valia vai acabar, seu Edgar, estreada em 1960, foi a precursora da experiência do Centro Popular de Cultura (CPC). Suas duas montagens foram as primeiras experiências de encenação épica feitas no Brasil, reunindo projeção de filmes, slides, música ao vivo e cenografia modernista num processo aberto de ensaios que envolveu não apenas o grupo amador Teatro Jovem, ligado à Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil (hoje UFRJ), mas também a comunidade estudantil, intelectuais do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) e jovens artistas, como o cineasta Leon Hirszman e o músico Carlos Lyra.
Esta edição crítica contém o texto cotejado das duas versões da peça que foram encenadas em 1960. A primeira foi publicada na década de 1980 num compêndio de peças de Vianinha organizado por Yan Michalski. A segunda versão, no entanto, permaneceu inédita até esta edição e foi localizada pelos pesquisadores do LITS no acervo da Funarte no Rio de Janeiro. Reúne, também, depoimentos de pessoas que participaram das encenações e uma mostra da recepção crítica que a peça teve.
O volume inclui ainda uma peça inédita de Vianinha chamada Mundo enterrado, escrita provavelmente no início de 1963 como parte de um conjunto chamado Imperialismo e petróleo. Sua estrutura mural reunia uma série de peças curtas, os autos, em torno de um tema da ordem do dia para suscitar debates entre o público. Completam o material dois textos dois textos reflexivos de Vianinha: Do Arena ao CPC e o esboço inédito Repertório do CPC.
SERVIÇO
Lançamento: Primeira Feira Paulista de Opinião e Peças do CPC
https://www.facebook.com/events/949848135113553/
Mesa de debates com Lauro César Muniz, Julian Boal e convidados especiais.
Mediação de Sérgio de Carvalho.
Data: 9 de maio de 2016
Horário: 21 horas
Local: Teatro da USP | Rua Maria Antônia, 294 – Consolação, São Paulo