16/10/2024
“Um dia você fará coisas incríveis, Zoya Lowe. Você mudará o mundo.”
Com essas palavras, a protagonista de Omni Loop, Zoya (Mary Louise-Parker), ainda criança imaginou uma vida grandiosa. Corta para ela em uma cama de hospital. O diagnóstico de um buraco-negro no peito, que em poucos dias tolherá sua vida. Aproveita o tempo que resta para organizar assuntos práticos e ficar com a família. Mas… e se ela pudesse fazer algo para reverter isso?
É então que descobrimos que ela tem em seu poder comprimidos que podem fazê-la voltar no tempo uma semana. Mas por mais que tente, o destino fatal a espera, até que ela encontra Paula (Ayo Edebiri), uma universitária que por sinal, está estudando sobre o tempo. Ambas iniciam uma jornada para tentar descobrir como esses comprimidos funcionam.
Mais do que a parte da ficção científica, as reflexões e metáforas sobre a vida, as escolhas que podem mudar tudo, e inclusive, um tópico muito atual: a “síndrome do protagonista”. Numa época em que qualquer um pode colocar a própria vida num palco, até que ponto devemos levar a vida como se ela tivesse alguma relevância para totais estranhos? Só vale a pena viver quando se deixa um legado para a humanidade? E como ficam todos os aprendizados e relações?
Além disso, alguns pais ao colocarem tantas expectativas em seus filhos, acreditando que eles sejam especiais, podem levar a indivíduos extremamente complexados.
Um personagem que poderia ser aleatório, reforça o quanto somos grãos de areia neste universo. Alguém que em seu microcosmo, não fosse o interesse de Paula, poderia ser, literalmente, esquecido numa gaveta.
Para quem curte filmes de loop temporal, como o diretor brasileiro Bernardo Britto, esta é mais uma obra que nos leva a refletir sobre como encaramos o sentido da vida - e o fim dela.