Viva Vassouras

Viva Vassouras Cidade de Vassouras, R.J. Nos dias atuais, já soma também trinta anos como cenário da educação e dos filmes e novelas da época colonial.

Vassouras um lugar de História e de Arte
Bem próxima de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Vassouras já foi a "Cidade dos Barões do café" a cidade mais rica do Império Brasileiro, durante cerca de três décadas. O agradável clima tropical de altitude, aliado à beleza do casario antigo e a tranqüilidade de seus recantos e sua gente, fazem de Vassouras um roteiro perfeito para quem procura paz, cultura, beleza natural e lazer saudável.

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19/11/2025

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A História Macabra da Família Albuquerque: Se Alimentou de Escravos Fugitivos por 23 Anos 1839-1862
Existem histórias que o tempo tenta enterrar. Histórias tão perturbadoras que as famílias apagam dos registros que os cronistas evitam mencionar, que viram apenas sussurros entre paredes velhas. Mas algumas histórias se recusam a morrer. Elas ecoam através dos séculos, esperando que alguém tenha coragem de contá-las.

E a história que você está prestes a ouvir é uma dessas. Uma história que aconteceu nas terras do Vale do Paraíba. entre as montanhas de Minas Gerais e o litoral fluminense, onde o café reinava absoluto e a escravidão era a base de tudo. Uma história sobre a família Albuquerque. Uma história sobre fome. Não há fome que você conhece, mas algo muito, muito pior.
Ano de 1839, A fazenda Boa Esperança, propriedade do senhor de Engenho Inácio Rodrigues de Albuquerque, erguia-se nas terras montanhosas próximas à vassouras, no Rio de Janeiro. Uma propriedade isolada, cercada por mata atlântica densa de um lado e cafezais intermináveis do outro. A casa grande era uma construção imponente, mas havia algo nela que fazia os viajantes sentirem um arrepio inexplicável ao passar.
Talvez fosse o silêncio pesado que pairava sobre o lugar. Ou talvez fosse a forma como os escravizados da região faziam o sinal da cruz sempre que alguém mencionava aquele nome. Albuquerque. Inácio de Albuquerque não era um senhor de engenho comum, alto, magro, ao ponto de parecer esquelético, com olhos fundos que brilhavam com uma intensidade perturbadora.
Ele era conhecido por três coisas na região. Sua crueldade extrema com os escravizados, seu isolamento social quase completo e um segredo que ninguém conseguia decifrar. Suas terras produziam café, mas não tanto quanto deveriam. Seus escravizados trabalhavam, mas eram poucos, magros demais, com olhares vazios, que falavam de horrores que a boca não ousava pronunciar.
Mas o verdadeiro mistério começava quando escravizados fugitivos desapareciam. O Vale do Paraíba, naquela época era rota de fuga para muitos que buscavam liberdade. Alguns tentavam chegar aos quilombos das montanhas, outros buscavam os portos, sonhando embarcar clandestinamente para terras distantes. E muitos exaustos, famintos, desesperados, cometiam o erro fatal de pedir abrigo temporário em fazendas isoladas, como a boa esperança.
Eles entravam, mas nunca saíam. Durante anos, isso foi apenas rumor, suspeita sem prova. Afinal, escravizados fugitivos desapareciam o tempo todo, capturados por capitães do mato, mortos na mata, afogados em rios. Ninguém investigava muito, ninguém se importava muito. Até que em 1847 algo aconteceu que começou a levantar perguntas que ninguém queria fazer.
Um capitão do mato chamado Jacinto Pires, homem experiente que ganhava a vida capturando fugitivos, começou a notar um padrão estranho. Ele rastreava escravizados até as proximidades da fazenda Boa Esperança, mas ali os rastros simplesmente desapareciam. Não havia sinais de captura, não havia sinais de que tivessem continuado viagem.
Era como se a terra os tivesse engolido. Em se meses, Jacinto perdeu o rastro de 11 fugitivos diferentes, todos na mesma região. Intrigado e frustrado por perder as recompensas, Jacinto começou a observar a fazenda Boa Esperança de Longe. E foi então que ele notou algo bizarro, apesar de ter poucos escravizados oficialmente registrados. Apesar da produção medíocre de café, a família Albuquerque parecia estranhamente bem alimentada.
Não apenas Inácio, mas sua esposa, dona Madalena de Albuquerque, e seus três filhos adultos, Baltazar, Custódio e Perpétua. Todos tinham aquela aparência bem nutrida, rosada, que contrastava violentamente com a magreza dos escravizados, que ocasionalmente eram vistos trabalhando nos campos. Mas o que mais perturbou Jacinto foi outra coisa.
Durante suas vigílias noturnas, escondido na mata, ele ocasionalmente sentia um cheiro. Um cheiro que ele conhecia bem de suas campanhas militares no sul, onde participara de batalhas sangrentas anos antes. Era o cheiro inconfundível de carne humana sendo queimada. Você consegue imaginar o que passou pela cabeça de Jacinto naquele momento? A possibilidade era tão horrível, tão absolutamente impensável, que ele a afastou imediatamente.
Não, não podia ser. Mesmo numa sociedade brutal como aquela, mesmo num sistema que tratava seres humanos como propriedade, havia linhas que não se cruzavam. Havia limites, não havia. Mas a suspeita, uma vez plantada, não o deixava em paz. Jacinto decidiu fazer algo arriscado. Ele se disfarçou como um tropeiro perdido e numa tarde chuvosa, bateu a porta da fazenda Boa Esperança, pedindo abrigo.
Queria ver com os próprios olhos o interior daquela casa. Queria confirmar que suas suspeitas eram apenas paranoia, nascida de noites solitárias na mata. Inácio de Albuquerque o recebeu com hospitalidade fria, ofereceu-lhe um quarto nos fundos da casa e avisou que o jantar seria servido em breve. Jacinto experiente em missões perigosas, manteve os sentidos alertas, explorou discretamente os corredores enquanto a família se preparava para a refeição.
E foi então que ele viu no porão da casa grande, acessível por uma porta que deveria estar trancada, mas que alguém esquecera de fechar completamente, havia correntes. Muitas correntes, presas às paredes de pedra, manchadas de sangue e ferrugem. Havia também ganchos no teto, do tipo usado em açouges para pendurar carcaças.
E num canto meio escondido por um pano velho, um monte de ossos. Os ossos longos demais para serem de animais comuns. Ossos que contavam uma história que nenhuma boca humana deveria ter que contar. Jacinto subiu correndo daquele porão do inferno, o coração batendo tão forte que ele teve certeza de que todos poderiam ouvi-lo.
Quando foi chamado para o jantar, ele se sentou à mesa da família Albuquerque, com as mãos tremendo, tentando manter a compostura. Dona Madalena, uma mulher de cerca de 50 anos, com olhos claros e vazios, serviu-lhe um ensopado aromático. A carne estava macia, bem temperada, com ervas que ele não conseguia identificar. Inácio observava-o com aqueles olhos fundos e penetrantes.
Como está o ensopado, senhor tropeiro? E perguntou com um sorriso que não alcançava os olhos. Jacinto forçou-se a comer algumas colheradas, cada uma descendo como chumbo em sua garganta. Delicioso, mentiu ele. Que tipo de carne é essa? Carne de caça respondeu Inácio simplesmente. Nós caçamos muito por aqui.
As matas são generosas com quem sabe procurar. E então ele adicionou com um brilho estranho no olhar, especialmente com aqueles que vêm até nós. Jacinto entendeu naquele momento que sua vida estava em perigo. Ele inventou uma desculpa sobre precisar verificar seus cavalos no estábulo e nunca mais voltou. Fugiu naquela mesma noite, correndo pela mata escura como nunca correra antes.
O gosto daquele ensopado ainda na boca, a náusea subindo pela garganta. Mas a quem ele poderia contar? Quem acreditaria numa acusação tão monstruosa? Um capitão do mato, homem de reputação duvidosa, que ganhava vida caçando seres humanos, acusando uma família de senhores de engenho respeitáveis de canibalismo, ele seria rido, ou pior, acusado de calúnia e preso.
Então, Jacinto fez a única coisa que podia fazer. começou a espalhar rumores discretos, avisar escravizados fugitivos em quem confiava para evitarem aquela região, marcar em seus mapas particulares, a fazenda Boa Esperança, com um símbolo que significava perigo de morte, e a procurar evidências mais concretas, algo que pudesse levar às autoridades sem se expor completamente.
Mas a família Albuquerque era cuidadosa, extremamente cuidadosa. Durante anos, eles continuaram seu hábito macabro, sempre escolhendo vítimas que ninguém procuraria: escravizados, fugitivos, viajantes solitários sem família, pessoas que já estavam fora dos registros oficiais da sociedade, pessoas que, na lógica cruel daquela época eram consideradas menos que humanas por muitos.
E aqui está a parte mais perturbadora desta história. Eles não faziam isso por necessidade. A fazenda Boa Esperança, embora não fosse próspera, produzia comida suficiente. Eles tinham gado, porcos, galinhas, podiam comprar carne no mercado. Não, isso não era sobre sobrevivência, era sobre algo muito mais doentio. Altazar, o filho mais velho de Inácio, tinha 28 anos quando tudo começou em 1839.
Ele crescera numa fazenda vizinha até os 15 anos quando algo aconteceu. Algo que a família nunca discutia abertamente. Houve um surto de febre amarela na região. Muitos morreram. A comida escasseou e durante três semanas terríveis, isolados pela quarentena, sem provisões chegando, a família Albuquerque enfrentou a fome real.
Mais detalhes podem ser encontrados aqui 👇
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