Marilia Borges

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20/01/2026
16/12/2025
14/12/2025

Há dias em que nos desajustamos da vida.
Dias em que o coração se atrasa no sentir
e a palavra, em vez de ponte,
levanta um muro sem intenção.
Respondemos com pressa,
olhamos sem ver,
magoamos sem querer.

Há dias em que o mundo pesa tanto
que até o gesto mais simples nos falha.
Ficamos mais duros, mais distantes,
como se estivéssemos a proteger
qualquer coisa frágil dentro de nós
que não sabemos nomear.

É nesses instantes,
justamente quando parecemos menos dignos, que mais precisamos de ser amados.
Não amados com festa,
mas com paciência.
Não amados com frases bonitas,
mas com um silêncio que acolhe.

E então recordo as palavras de
Madre Teresa de Calcutá,
tão simples na voz,
tão imensas no signif**ado:

“Ama-me quando eu menos mereço,
porque é quando mais preciso.”

Que sabedoria tão profunda.
Ela sabia, como poucos,
que o ser humano é feito de fragilidades,
e que por trás de cada falha
existe quase sempre uma ferida antiga
a querer respirar.

Por isso peço:
Se um dia me vires a tropeçar na minha própria sombra,
se a minha voz se elevar sem razão
ou se o meu silêncio te afastar,
não leias isso como desamor.
É apenas a minha alma cansada
a procurar um porto seguro.

Ama-me nesse instante.
Ama-me quando eu falho em ser quem quero ser.
Ama-me quando eu me esqueço da minha luz e só lembro o peso que carrego.
Ama-me não porque eu o mereça,
mas porque me estou a perder
e não sei como regressar.

E é nesse amor, quieto, fiel, persistente
que renasço.
Nesse amor que f**a quando tudo em mim vacila,
eu encontro o caminho de volta à minha própria verdade.

Porque amar alguém no seu pior
é uma das maiores formas de compaixão.
E ser amado nesse lugar escuro
é um dos maiores milagres da vida.

Carlos Cabrita_escritor✍️
Autor do livro
O Sentido das Palavras - Uma voz serena para os dias apressados

24/11/2025

No banco do jardim,
o mundo parecia abrandar só para nós.
As folhas sussurravam histórias antigas,
e o vento, cúmplice, aproximava
o que o coração já sabia de cor.

No banco do jardim,
as mãos encontravam-se devagar,
como quem aprende a tocar um segredo.
E havia um silêncio tão inteiro
que até a alma tinha medo de o quebrar.

No banco do jardim,
a vida parecia simples:
um perfume de outono,
um raio de sol a cair no rosto,
e aquela estranha certeza
de que, por um instante,
éramos exatamente o que precisávamos ser.

E hoje, quando passo por ali,
juro que ainda ouço o eco das tuas risadas,
e sinto que o tempo guarda
no seu colo silencioso
tudo o que foi amor,
mesmo o que já não volta.

Carlos Cabrita _escritor ✍
Autor do livro
O Sentido das Palavras Carlos Cabrita
Ums voz serena para os dias apressados

24/11/2025

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