10/09/2020
“Uma canta, a Outra não”(1977) é um presente de Agnès Varda para o mundo. Presente que o mundo precisava em 1977 - ano de seu lançamento - e, infelizmente, continua precisando nos dias de hoje. Afinal, a sociedade que era conservadora, conformista e em grande medida retrógrada - e porque era assim - é, grosso modo, a sociedade em que vivemos hoje. O filme é construído por mulheres, a sororidade entre as personagens é muito forte, é conceitual, é representativa. O movimento feminista da década de 70 não é o mesmo movimento de hoje, mas como o oponente de sua luta não se mostra tão diferente assim, o filme se mostra essencial. Assistí-lo é se banhar em um sentimento de conexão com o outro, de solidariedade, de poder; se banhar em um sentimento que fortifica e ajuda a andar pra frente, a progredir, um sentimento anticonformista.