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"Quem nesse mundo se importa com o Coiote?"Foi a pergunta que David Zaslav, CEO da Warner Bros, deve ter feito na sua re...
03/09/2026

"Quem nesse mundo se importa com o Coiote?"

Foi a pergunta que David Zaslav, CEO da Warner Bros, deve ter feito na sua reunião com executivos e assim engavetando o filme Coyote vs Acme (2026) para que nunca fosse exibido em lugar nenhum. Foi o que aconteceu com Batgirl e Scooby Doo 2. Milhares de trabalhadores do filme e do setor se manifestarem contra o cancelamento do filme, gerando um sentimento de injustiça em Hollywood fazendo com que outro estúdio comprasse o projeto.

Como na vida real, o filme conta a história do Coyote que, cansado de apanhar dos próprios apetrechos, decide processar a empresa que os vende, a grande coorporação monopólio ACME. Para realizar seu objetivo, ele recorre ao advogado de pequenas causas Kevin Avery (Will Forte) com quem desenvolve uma relação de parceria para desvendar os segredos obscuros da empresa.

David Green encabeça o projeto ambicioso de misturar animação com live action (pessoas reais) como os clássicos Space Jam (1998) e Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988). Na tentativa de equilibrar os elementos animados com os reais, o diretor torna a interação fluída e engraçada, potencializando o humor dos desenhos animados interagindo com o mundo real. Coyote é um personagem clássico dos Looney Tunes, sua jornada contra a cruel coorporação ACME cativa o público assim como sua perseguição eterna ao Papa-Léguas, criando uma empatia com o público sem perder o humor e sua personalidade desastrada.

(cont.)

A grande Epopéia de Homero dividida entre A Ilíada e A Odisséia é tão conhecida quanto a história da Bíblia. Lendas sobr...
27/07/2026

A grande Epopéia de Homero dividida entre A Ilíada e A Odisséia é tão conhecida quanto a história da Bíblia. Lendas sobre heróis que atravessaram os mares e viraram poesia na Grécia Antiga marcam o fim da Era de Bronze e um novo recomeço para a humanidade. Christopher Nolan, um diretor conhecido por grandes espetáculos visuais no cinema, encarou o desafio de adaptar uma nova versão da história de Odisseu (ou Ulisses) para as telonas, consolidando esse como o seu segundo filme que explora "gênios condenados".

Nolan será bastante criticado por não se ater fielmente aos poemas, por ter liberdade poética de retirar e acrescentar textos, mas o cinema permite que o autor tenha uma nova leitura sobre sua adaptação. Aqui o diretor sabe que a jornada de Odisseu não é só física como mental, ao retirar os aspectos divinos da história, Nolan encara a volta para casa de seu protagonista como uma tragédia pelos males da guerra, com uma mensagem anti-bélica (mas nunca pacifista) o espectador se vê diante da queda de Tróia como o fim da civilização e o início da barbárie entre os homens, o desrepeito à hospitalidade e aos valores da Era de Bronze.

Aspectos de terror surpreendem ao nos depararmos com um ciclope inspirado pelo monstro de Labirinto do Fauno (2009) devorando seres humanos com uma voracidade cruel e a bruxa Circe com sua magia grotesca transformando os soldados em porcos em um ritual digno dos melhores filmes body horror. Nolan br**ca entre o fantástico e o real, o mitológico e a natureza, ao esconder os deuses nos perguntamos se eles são reais, mas eles existem nas criaturas que desafiam a jornada e na revolta do mar, da tempestade e do sol perante aos assassinos do povo de Tróia.

(cont. nos comentários)

Em 1984, influenciado pelo sucesso do Superman, Supergirl chega aos cinemas, se tornando o primeiro filme de super he***...
25/06/2026

Em 1984, influenciado pelo sucesso do Superman, Supergirl chega aos cinemas, se tornando o primeiro filme de super he***na da história. Infelizmente, o longa foi um fracasso de público e crítica, feito com baixo orçamento e sem inspiração. Quarenta e dois anos depois, Supergirl chega novamente aos cinemas no embalo do sucesso de Superman, e infelizmente, a história tende a se repetir.

Craig Gillespie assume a direção depois dos ótimos Cruella (2021) e Eu, Tonya (2017) e o roteiro é da iniciante Ana Nogueira. Toda a identidade caótica dos filmes de Craig é inexistente em Supergirl, a história derrete qualquer senso de originalidade ao se apegar em cenários mal feitos e fundo verde lotados de personagens efeitos especiais genéricos. A personagem central carrega uma força dramática potente que se sustenta na atuação da brilhante Milly Alcock que é boicotada pela péssima edição e pelo enredo que a coloca de lado para contar a trama de vingança mais batida da década da secundária Ruthye (Eve Ridley).

Um filme que se sustenta pela sua protagonista nunca deve abrir mão do seu tempo de tela, Ana Nogueira mostrou inexperiência ao se perder na trama de Ruthye e no fan service de inserir Lobo (Jason Momoa) de qualquer forma na história só para atrair uma certa demografia do público. O drama de Kara é profundo e devastador, o luto de perder tudo que conhecia e a dificuldade de se encaixar em um novo mundo na sua recente vida adulta são temas suficientes para carregar a narrativa, entretanto um filme de super herói sempre precisa do bandido genérico que quer fazer o mal, e em Supergirl ele é pessimo, assim como as sequências de ação (com excessão da divertida cena do ônibus espacial)

Kara é uma personagem que te encanta e desafia a entendê-la pela casca ranzinza e revolta que apresenta, revelando gentileza e uma profunda dor, sentimentos que não são explorados ou debatidos em tela, pois para os realizadores os socos de CGI e a vingança da coadjuvante são mais interessantes que as angústias reais da kriptoniana. Supergirl (2026) é o filme mais genérico de super herói da semana, pelo menos até a Marvel lançar seu próximo fast food.

O público e a crítica se mostram saturados da franquia Toy Story, apesar do sucesso do quarto filme, muitos acreditam qu...
19/06/2026

O público e a crítica se mostram saturados da franquia Toy Story, apesar do sucesso do quarto filme, muitos acreditam que a história dos brinquedos mais famosos do cinema deveria chegar ao fim. Entretanto, a Disney e a Pixar com seu ímpeto de emplacar suas propriedades intelectuais precisam garantir grandes bilheterias e a marca Toy Story tem a capacidade de criar blockbusters.

Toy Story 5 não é um simples caça níquel despreocupado com a qualidade da animação ou da história contada, o diretor Andrew Stanton (Wall°E e Procurando Nemo) é um experiente cineasta que entende a animação como uma linguagem para contar histórias cativantes para adultos e crianças com mensagens profundas e singelas, aqui ele conta com a adição da novata Kenna Harris na co-direção trazendo um novo olhar para os personagens mais queridos do estúdio. O roteiro de Kenna é confortável como um abraço, cheio de nostalgia e de discussões sobre a relação das crianças com tecnologia e a dificuldade de criar conexões reais, ironicamente, em um mundo conectado nas redes.

Ao adotar Jessie como sua protagonista, Toy Story 5 acerta em explorar personagens icônicos que eram deixados como coadjuvantes de luxo como o Bala no Alvo e a caúboi. Com um filme focado em suas personagens femininas, os dramas se renovam e emocionam a audiência que rapidamente se conecta às personagens que tem medo de serem julgadas, abandonadas e ridicularizadas, sentimentos estes que são amplificados na era das redes sociais onde o julgamento é instântaneo e a ridicularização é a regra.

Apesar do filme ter uma linguagem mais infantil que seus antecessores, sendo prolixo e com mais piadas sem graça, a história tem um ritmo empolgante que engaja a audiência na jornada dos brinquedos. A presença do Woody na história é completamente descartável, seu arco se encerrou no quarto filme e aqui ele faz figuração de luxo, um fanservice que deve ter sido uma exigência do estúdio, pois ele está completamente deslocado da narrativa.

Portanto, Toy Story 5 é sim um filme para encher os cofres da Disney, mas mostra que a franquia ainda tem algo refrescante a contar ao trazer novas realizadoras para participarem da franquia.

A franquia de jogos de luta mais violenta volta aos cinemas em uma sequência "salva-vidas" tentando resgatar a saga do p...
08/05/2026

A franquia de jogos de luta mais violenta volta aos cinemas em uma sequência "salva-vidas" tentando resgatar a saga do péssimo início com "Mortal Kombat" (2021). A dúvida é se a mesma equipe consegue aprender com os erros e fazer um filme melhor que conquiste de vez os fãs da franquia.

Simon McQuoid comanda novamente a adaptação, porém dessa vez o torneio mortal realmente acontece. Em um combate 5x5, o filme consegue apresentar com paciência os dez lutadores e outros que os cercam, aproveitando as introduções do primeiro filme e aprimorando o que foi mal aproveitado. Diferente do seu antecessor, Mortal Kombat 2 divide o protagonismo entre o ator de filmes B de ação em decadência Johnny Cage (Karl Urban), o ator de filmes B de ação em decadência e Kitana (Adeline Rudolph), a princesa órfã que busca vingança pelo seu pai para salvar seu reino.

Ao estabelecer o arco dramático de Johnny Cage como o "escolhido" em negação, MK2 homenageia os filmes de brucutu e abraça o absurdo que sustenta o universo dos games. Pois, sem se levar a sério o personagem cresce nas cenas de ação e eleva as interações do fraco elenco. Kitana é o coração do filme, sua jornada cheia de (des)afetos influenciam seu estilo de luta e seus princípios.

Simon homenageia os jogos com os cenários de luta, mortes violentas, a câmera que se ajusta à linguagem do jogo filmando o combate em 2D e depois ampliando as possibilidades do cenário. A galeria de personagens é ampla e bem explorada, com surpresas para os fãs. Os combates tem mais peso e significado nessa sequência, com uma edição mais fluída e uma direção que valoriza a porradaria.

(continua nos comentários...)

A tecnologia está destruindo a nossa sociedade ou a nossa relação com ela que se tornou tóxica? "Boa Sorte, Divirta-se, ...
28/04/2026

A tecnologia está destruindo a nossa sociedade ou a nossa relação com ela que se tornou tóxica? "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra" (2026) é o mais novo filme de ficção científica a tratar do terrível avanço tecnológico na sociedade estadunidense. A partir da sátira, Gore Verbinski debocha da relação dos americanos com a internet.

"Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo" (2022) foi um sucesso absoluto em bilheteria e em crítica, sua estética do caos com cortes rápidos, humor non-sense e abstração da realidade chamam a atenção do público, em "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra" essa estética do caos tenta ser reproduzida sem a mesma maestria, aqui a história se perde completamente na própria sátira e se torna tudo o que critica.

Um episódio de Black Mirror tem mais substância do que o filme de Verbinski. O filme tem como promessa uma aventura maluca com um viajante do tempo entrando em uma lanchonete e declarando que o apocalipse cibernético é iminente, mas evitável. Reunindo uma equipe de clientes esquisitos, acompanhamos a aventura caótica para colocar um pen drive na IA programa por uma criança. Enquanto isso, o filme insere flashbacks, que são muito mais empolgantes do que a história presente, explicando como os personagens centrais chegaram àquela lanchonete.

Um filme que poderia ser gerado por um prompt de IA, critica a relação dos jovens com o celular e os feeds infinitos de vídeos genéricos com IA, a falta de interesse pela arte e a educação refletem uma geração apática em que tiroteios escolares são tão comuns que o governo financia um clone do adolescente morto para suprir a dor dos pais, e como a empresa precisa lucrar o clone irá fazer propagandas nada naturais das marcas patrocinadoras. As críticas são intrigantes e engraçadas, a sátira por mais absurdista que pareça cai em um aspecto da nossa realidade, as redes estão tomadas por conteúdo de IA e os nossos jovens estão consumindo cada vez mais os "brainrot" (apodrecimento cerebral).

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O monstro "múmia" passou por diversas releituras no cinema, desde o horror dos monstros clássicos da Universal dos anos ...
28/04/2026

O monstro "múmia" passou por diversas releituras no cinema, desde o horror dos monstros clássicos da Universal dos anos 30 até a franquia de ação e aventura estrelada por Brendan Fraser. Agora a Blumhouse investe em uma história centrada em uma família amaldiçoada por um demônio do Egito Antigo com o foco em amendrontar e enojar a audiência.

Lee Cronin dirige "A Maldição da Múmia" (2026) logo após seu grande sucesso com "Evil Dead Rise" (2023), ele impõe seu estilo de um horror visceral, com mortes criativas e grotescas, o uso do gore é controlado e esperto para manter a audiência interessada na próxima bizarrisse que o filme irá aprontar. Sem fugir dos clichês, Cronin constroe uma filme de terror com um humor sarcástico e pertubação psicológica de seus personagens.

Ao centralizar a narrativa em uma família, que teve a filha mais velha sequestrada por oito anos, o filme aposta em um recorte pequeno de personagens para potencializar as emoções e o desespero ao se deparar com o sobrenatural. A mistura entre investigação e o drama familiar gera um longa dinâmico que escala os seus eventos até a ameaça se tornar cada vez mais evidente.

Entretanto, o filme não foge de atuações caricatas e um texto expositivo que retira as emoções proporcionadas pela tensão das cenas. O pouco desenvolvimento na relação entre os membros da família gera uma indiferença quando suas vidas estão ameaçadas, além de todos os personagens egípcios serem completamente rasos e apenas ferramentas para chegar a algum lugar ou descobrir um mistério.

Portanto, "A Maldição da Múmia" (2026) é uma boa diversão com cenas de revirar o estômago e uma história batida que todo filme de terror com possessão tem.

Como nasce um fênomeno da natureza? No movimento das placas tectônicas? Na passagem de um cometa sazional? Com a radiaçã...
28/04/2026

Como nasce um fênomeno da natureza? No movimento das placas tectônicas? Na passagem de um cometa sazional? Com a radiação solar nos polos? O mundo da música comprova: Michael Jackson nasce nos palcos.

A moda das cinebiografias de músicos alastra Hollywood com produções genéricas que se sustentam com as famosas canções, um compilado de momentos da carreira e uma história medíocre. Michael (2026) não foge da lógica industrial hollywoodiana, é um filme feito para faturar em cima da nostalgia de um astro que se foi, suas músicas e performances são o destaque no longa que pouco se preocupa em explorar os conflitos de Michael Jackson.

Dirigido por Antoine Fuqua, a cinebiografia produzida pela família Jackson evita entrar em polêmicas, nas brigas de Michael, no seu vício em remédios, na sua relação conturbada com a mídia e outras estrelas e até mesmo a maior controvérsia de todas, as acusações de abuso em Neverland. Fazendo um recorte entre os anos 60 e 80 (com um momento final nos anos 90), os Jacksons destacaram a família como pilar central para o talento de MJ florescer, além das referências do cinema, música, televisão e literatura. Jackson 5 é o foco dramático da história, o confronto com a autoridade abusiva do patriarca Joseph Jackson é a linha antagônica e a infantilidade de Michael o torna puro de coração.

Quando um filme se propõe a contar uma história que o mundo já conhece, existem algumas decisões que ele precisa tomar. Como contar a mesma história de forma original? Em Michael (2026), o uso de maquiagem e o processo de realização do álbum "Thriller" são destaques criativos que chamam atenção assim como as cenas dos shows, pois Jaafar Jackson (sobrinho e interprete Michael Jackson) se dedica ao máximo para reproduzir os maneirismos de seu tio no palco.

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Sam Raimi está de volta com o seu cinema de horror cômico. Depois do desastroso "Doutor Estranho e o Multiverso da Loucu...
04/02/2026

Sam Raimi está de volta com o seu cinema de horror cômico. Depois do desastroso "Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura", o diretor se vê livre das amarras cruéis da Marvel e lança seu mais novo projeto autoral, o longa "Socorro!". No filme, Linda (Rachel McAdams) e seu patrão Bradley (Dylan O'Brien) sofrem uma queda de avião e ficam isolados em uma ilha deserta, logo a dinâmica de poder muda quando ela se mostra preparada para lidar com a situação enquanto o chefe está ferido.

Ao satirizar o mundo corporativo jogando seus personagens numa ilha deserta, Reimi elabora uma dinâmica intrigante entre patrão e funcionário insatisfeito, onde o poder é determinado para além de classe e gênero, mas sim de quem domina a arte da sobrevivência. A violência salta em tela com muito sangue sem medo de ser grotesco, pertubador e nojento. Espectadores com estômago frágil irão cobrir os olhos e simular regurjitações nas cenas mais excêntricas e impactantes.

Rachel McAdams e Dylan O'Brien formam uma dupla cheia de química com um tempo cômico certeiro, a torcida do público transita entre os dois a cada atitude controversa tomada pelos seus personagens, tornando "Socorro!" uma montanha-russa de emoções.

Entretanto, o roteiro de Damian Shannon e Mark Swift é muito frágil em relação ao estabelecimento da situação de isolamento, desafiando a boa fé da audiência em acreditar em diversas conveniências que estendem a história, como o fato do resgate não aparecer. Os diálogos repetitivos ganham outro significado a partir da direção e da atuação, fortalecendo um texto que previamente não tinha substância. A conclusão é previsível, sem graça e até anti-climática, mas não apaga a diversão que é acompanhar a dupla de protagonistas.

"Socorro!" grita Sam Raimi com toda sua identidade em tela, é divertido e contagiante mesmo que asqueroso e desconcertante.

Na literatura, o limiar entre a ficção e a realidade foi rompido por Maggie O'Farrell ao retratar a dor do luto de Willi...
22/12/2025

Na literatura, o limiar entre a ficção e a realidade foi rompido por Maggie O'Farrell ao retratar a dor do luto de William e Agnes Shakespeare. Já no cinema, Chlóe Zhao adapta a história com sensibilidade e melancolia, no, que demonstrar ser, o auge da sua direção.

William e Agnes se apaixonam perdidamente em uma floresta de sua pequena vila inglesa, como em um folclore celta, seu amor floresce entre poesia e conexão com a natureza. Quando casados, William percebe que sua carreira como escritor está estagnada e precisa ir para Londres, deixando sua família para trás.

"Hamnet" é um filme sobre as dores mais profundas do ser. O místico e o folclórico do campo ganha escopo no retrato da família Shakespeare que vive distante do pai dramaturgo. Entre o romance e a tragédia, Hamnet não adapta somente uma história fictícia, mas o espírito das peças do autor com muita poesia, lamento e tragédia. Chloe Zhao dirige o drama sem o apego com o real, flertando com o exotérico e apostando na emoção de seus atores. E o grande destaque do filme é o seu elenco, desde dos atores mirins que entregam performances convicentes e comoventes até aos protagonistas William (Paul Mescal) e a exuberante Agnes (Jessie Buckley) que entregam as melhores performances de suas carreiras.

A dor do luto atravessa a tela do cinema e atinge o âmago do público, o melodrama da família inglesa do século XVI é universal ao retratar questões familiares, como a ausência paterna e a criação de filhos, entretanto consegue ser único ao desenvolver personagens com conflitos internos instigantes, deixando o espectador conectado aos seus anseios e medos.

Portanto, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é uma reflexão da vida familiar dos Shakespeare, principalmente de Agnes, com uma metalinguagem forte para com o teatro e a poesia. Um espetáculo que, ao fechar as cortinas, leva seu coração.

Endereço

Fortaleza, CE
666-1972

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