23/09/2016
|CONVITE AO CINEMA|
Neste sábado (dia 24), às 20h, no Auditório Hélio Moreira.
Entrada franca.
HANA-BI: FOGOS DE ARTIFÍCIO
("Hana-Bi") Japão/1997 – 103 min.
Direção: Takeshi Kitano
Elenco: Takeshi Kitano, Sussumo Terajima, Kayoko Kishimoto e Ren Osugi.
Classificação 18 anos.
Trabalho de extrema gravidade, "HANA-BI" é a obra-prima do diretor Takeshi Kitano, famoso no Japão como comediante e que, até então, fazia um cinema que não era muito levado a sério. Bastou o Leão de Ouro no Festival de Veneza para as coisas mudarem significativamente na sua carreira. Alternando, com enorme eficácia, momentos de extrema violência com delicadezas poéticas (e pictóricas), Kitano narra a história do policial Nishi que tem de lidar, a um só tempo, com a esposa prestes a morrer e com um amigo, tonado paraplégico após levar um tiro num confronto policial com a máfia japonesa. Ao mesmo tempo em que busca por vingança, pelo amigo, tenta dar à sua esposa, em seu derradeiros momentos de vida, um alento. No boom do cinema asiático, nos anos 90, o filme só fez corroborar com o que a maior parte da crítica estava dizendo – que era na Ásia que estavam sendo realizados os melhores filmes do mundo, com os trabalhos de diretores como Tsai Ming-liang, Hou Hsiau-hsien, Wong Kar-wai, Edward Yang, Jia Zhang-ke e Tran Anh Hung. Visualmente elaboradíssimo e com total controle na direção, Kitano fez de seu filme uma obra inesperada cujas referências tanto podem estar em Kurosawa, quanto no cinema noir americano. Um filme, acima de tudo, distante da parcimônia moral a que se entregam as obras atuais – que costumam recuar, nos instantes finais, para a saraivada do politicamente correto.