A Última Morada de João Simões Lopes Neto

A Última Morada de João Simões Lopes Neto Curta-metragem - gênero fantástico De repente ele abre os olhos e vê-se estátua. A partir dai ocorrem situações inusitadas.

Estátua de bronze, em tamanho real, é inaugurada na cidade de Pelotas-RS, em 2016, homenageando João Simões Lopes Neto, comerciante pelotense, Capitão da Guarda Nacional, escritor, teatrólogo, proeminente figura da cultura gaúcha, falecido em 14 de junho de 1916, considerado por sua família e amigos, injustamente, como um homem sem sorte.

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03/05/2026

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ORIGAMIHavia um elefante de papel tombado no meio-fio, à beira de uma lixeira — como se o mundo o tivesse esquecido ali....
03/05/2026

ORIGAMI

Havia um elefante de papel tombado no meio-fio, à beira de uma lixeira — como se o mundo o tivesse esquecido ali.
Parei. Olhei com cuidado, quase em silêncio.

O papel guardava um beijo — vermelho, borrado — vestígio de um afeto que já não cabia em palavras.
Desdobrei-o com os olhos: era carta.

Caligrafia fina, inquieta, como quem escreve à beira de perder tudo.
E havia, nas linhas desalinhadas, um amor em ruína — desses que nascem intensos e não sobrevivem ao peso do tempo, nem ao vazio que às vezes habita a vida.

Por um instante, segurei aquele elefante como se segurasse um segredo. Depois, devolvi-o ao chão.

Segui caminho levando comigo a sensação de que somos assim:
origamis de nós mesmos.

Feitos de dobras, algumas precisas, outras desajeitadas,
onde cabem verdades e enganos, sonhos e restos de esperança.
Nada em nós é linear.
Tudo se dobra, se esconde, se revela em ângulos inesperados.
Há rupturas em nossos contornos, silêncios entre gestos,
e uma geometria íntima que só o tempo compreende.
Somos frágeis.
Irremediavelmente frágeis.

E, talvez, também sejamos música —
dessas que encantam não apenas pelas notas, mas pelo intervalo incerto entre elas: onde mora o improviso, a liberdade,
e o que ainda não sabemos dizer.

Um elefante de papel
Acrílica s/ papel Canson
21 x 28





literatura

Um jeito de ser é uma tela que me visita como um sussurro insistente. A forma arredondada da personagem não apenas comov...
30/04/2026

Um jeito de ser é uma tela que me visita como um sussurro insistente. A forma arredondada da personagem não apenas comove — ela acolhe. Há nela uma presença inteira, quase terna, como se o corpo fosse feito de quietude e abundância. Foi pensada à luz de certas criaturas volumosas e humanas, mas acabou seguindo seu próprio caminho, afastando-se de qualquer espelho direto.

Permanece, talvez, a densidade do corpo — não como peso, mas como permanência. Como alguém que aceita ocupar o espaço com delicadeza firme.
Busquei uma poética generosa: nos traços que não ferem, na intenção que não exige. Há algo de ingênuo ali, se a ingenuidade puder ser traduzida em imagem — não como falta, mas como pureza de gesto, como entrega sem cálculo.

É uma figura que existe sem pedir licença. Generosa nas formas, generosa no estar. Quase como se sua presença dissesse, em silêncio, que há beleza em simplesmente ser.

Um jeito de ser
Acrílica s/tela
50x60
Disponível




O curta “A Última Morada de João Simões Lopes Neto”, escrito por Manoel Soares Magalhães, pode ser interpretado filosofi...
08/03/2026

O curta “A Última Morada de João Simões Lopes Neto”, escrito por Manoel Soares Magalhães, pode ser interpretado filosoficamente como uma reflexão sobre tempo, memória e absurdo da condição humana.
A narrativa — na qual a estátua do escritor João Simões Lopes Neto desperta e observa o mundo — cria uma situação que lembra temas presentes na filosofia de Albert Camus, Martin Heidegger e Friedrich Nietzsche.
A história funciona como uma fábula filosófica.
1. O absurdo da permanência (Camus)
Para Camus, o absurdo nasce do confronto entre:
o desejo humano de sentido
o silêncio do mundo.
No filme, a situação absurda é clara:
um escritor transformado em estátua desperta e tenta compreender sua condição.
Ele percebe que:
o mundo continuou sem ele
sua existência permanece apenas como símbolo.
Essa experiência ecoa a ideia camusiana de que a realidade não responde às perguntas humanas.
O monumento representa uma tentativa da sociedade de dar sentido ao passado. Porém, quando o próprio escritor “retorna”, percebe o vazio dessa solução.
Assim, o filme sugere uma espécie de absurdo cultural:
a sociedade homenageia o artista, mas não compreende plenamente sua obra.
2. Ser e tempo (Heidegger)
Na filosofia de Heidegger, o ser humano é um ser-no-tempo.
A existência é marcada pela finitude e pela relação com o passado.
A estátua viva representa um ser deslocado:
pertence ao passado
observa o presente
não possui futuro.
Esse deslocamento revela uma condição ontológica:
o sujeito percebe que o tempo não pode ser recuperado.
O filme mostra um encontro entre dois tempos:
o tempo histórico do escritor
o tempo contemporâneo da cidade.
Esse encontro gera estranhamento, como se o passado estivesse tentando compreender o presente que o esqueceu.
3. Memória e esquecimento (Nietzsche)
Nietzsche afirmava que toda cultura vive numa tensão entre:
memória
esquecimento.
A memória preserva a identidade, mas o excesso dela pode paralisar a vida.
A estátua simboliza exatamente esse problema:
ela preserva o escritor, mas o transforma em objeto imóvel.
Assim, o filme questiona:
o que significa lembrar verdadeiramente um artista?
Nietzsche diria que uma cultura viva não apenas preserva monumentos — ela reinterpreta constantemente seu passado.
O despertar da estátua simboliza essa reinterpretação.
4. O estrangeiro no próprio mundo
Outro aspecto filosófico importante é o sentimento de estranhamento.
O escritor desperta em um mundo que já não reconhece plenamente. Ele se torna um estrangeiro em sua própria cidade.
Essa condição lembra o protagonista de O Estrangeiro de Camus: alguém que observa o mundo com distância radical.
No curta, essa distância revela um fato profundo:
a história transforma pessoas reais em figuras abstratas.
O homem desaparece; resta o símbolo.
5. A última morada como metáfora metafísica
O título do filme sugere uma pergunta filosófica central:
onde reside a existência após a morte?
O filme apresenta três possíveis respostas simbólicas:
o túmulo (a morte física)
a estátua (a memória pública)
a obra artística (a permanência cultural)
Entre essas possibilidades, a narrativa parece sugerir que a verdadeira permanência ocorre na obra e na imaginação coletiva.
A estátua é apenas um intermediário.
6. O paradoxo do monumento
O monumento tem um papel paradoxal na filosofia da memória.
Ele pretende preservar o passado, mas muitas vezes produz o efeito contrário:
transforma a lembrança em algo distante.
Quando a estátua caminha, o filme rompe esse paradoxo. O monumento deixa de ser objeto e se torna consciência histórica.
Esse gesto revela o sentido mais profundo da obra:
a cultura só permanece viva quando o passado volta a dialogar com o presente.

Vagner Vargas, que interpretou Simões, ao lado do roteirista Manoel Soares Magalhães, no set.

Na semana que passou estive em Pelotas e parei na frente  de João Simões Lopes Neto,  na Praça Coronel Pedro Osório. Est...
16/04/2025

Na semana que passou estive em Pelotas e parei na frente de João Simões Lopes Neto, na Praça Coronel Pedro Osório. Estava ali em sua imobilidade de bronze, indiferente à vida em derredor. Há qualquer coisa de enigmático em estátuas. Desde criança observo-as numa mistura de curiosidade e aflição. Curiosidade nascida do interesse por esses vultos (transformados em fantasmas enrijecidos) e aflição por imaginar suas almas aprisionadas neste rijo estado. Em se tratando de João, desde que o colocaram sentado no banco da praça, passei por ele mais de uma vez, até que me encorajei e resolvi dar-lhe vida, arrancando-o do estado de bronze. Transformei um encontro nada casual em roteiro cinematográfico (A Última Morada de João Simões Lopes Neto). Na trama o escritor regionalista se levanta e caminha pela praça, em brilhante interpretacao do ator Vagner Vargas. Em seu caminho pela praça o escritor, em longo solilóquio, divaga sobre sua existência, sobretudo acerca de seus últimos dias. O filme conta, ainda, com a participação da atriz pelotense Roberta Pires, Clemente Viscaino e Hakeen Mhucale.

No Universo de João Simões Lopes Neto.

Alguns mundos possíveis
Acrílica s/tela
35x45

Vendida





Salve, bom dia. Recebo hoje pela manhã mensagem de nosso querido amigo, Vagner Vargas, que se encontra em Portugal,  ond...
08/04/2025

Salve, bom dia. Recebo hoje pela manhã mensagem de nosso querido amigo, Vagner Vargas, que se encontra em Portugal, onde ele aparece em vídeo promocional para o Kalakari Film Festival/2022, falando sobre o curta-metragem "A Última Morada de João Simões Lopes Neto ". Momento inesquecível para ele e para os realizadores da obra, que percorreu o mundo. Vagner teve sua atuação premiada como melhor ator no RIMA/Festival Internacional de Cinema do Rio De Janeiro, também em 2022. Neste mesmo festival fui agraciado com o prêmio de melhor Roteiro. Ótima lembrança, o que incentiva ainda mais a produtora Tokadokoelho Filmes que torna real o sonho de trazer Fernando Pessoa a Pedro Osório, no curta-metragem "A Passagem" cujas gravações já começaram. É desejo de todos que a performance do filme seja igualmente êxitos. Que percorra o mundo do mostrando as belezas do município de Pedro Osório e as tradições gaúchas!!

Precione sobre o link abaixo e escute nosso talentoso amigo falar!

https://youtube.com/shorts/2KCijHvH5Ro?si=ACcPqcGEap0ZNTnX











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