29/01/2026
"Eu aprendi cedo que o defensor público precisa, antes de tudo, saber ouvir. Muitas vezes chamam alguém de louco, de exagerado, de inconveniente, mas ali pode existir um direito esquecido. A Defensoria existe para isso: escutar, insistir e transformar injustiça em reparação. Esse sempre foi o meu compromisso." José Fontenelle, 2002.
2025 foi um ano de escuta ativa das defensoras e dos defensores públicos para o Projeto Fesudeperj: 30 anos, um tempo decisivo para pesquisar a memória de construção e a consolidação da Fundação Escola Superior da Defensoria Pública. A Fundação carrega uma história bela, assim como a própria Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro: uma trajetória marcada por persistência, por enfrentamentos cotidianos e pela defesa intransigente do acesso público, gratuito e qualificado à assistência judiciária.
Chama-me atenção, contudo, que esses(as) advogados(as) públicos(as) lidam, com frequência, com pessoas que não conseguem nomear plenamente o problema vivido ou que não dispõem da documentação mínima necessária. É uma realidade distinta daquela observada, por exemplo, na advocacia privada, em que o cliente geralmente já chega munido de contratos, comprovantes ou registros formais.
Desde 2023, contribuo como historiadora através da N30 Pesquisas para o Centro de Memória da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, após ter atuado por seis anos no Centro de Memória do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Esse percurso me permite observar, de perto, como a Defensoria opera no limite entre o direito escrito e a vida concreta — onde a escuta é, muitas vezes, o primeiro e mais essencial instrumento de justiça.
Nas imagens registradas pelo fotógrafo Ronaldo Jr. DCOM/DPRJ, estamos eu e os técnicos de gravação e filmagem Bruno Ferreira e Whashington Marinho- Fesudeperj, entrevistando o Defensor Público aposentado e advogado Renato Reis.