23/03/2026
A premissa tenta humanizá-la nessa volta para casa para encarar o que nunca soube manejar, o cuidado com a vida, em vez da facilidade de tirá-la.
Chloe (Isabel Myers), sua filha, já é uma adolescente e a relação de amorosidade e compreensão sofre uma mudança brusca. Caímos em um ressentimento rápido demais, seguido de um desentendimento banal e o sequestro dela pelo “Sindicato”, uma organização de tráfico humano que tenta se vender como uma “Alta Cúpula” do crime.
O título original, The Protector, era muito mais honesto em mostrar o fardo do cuidado, não só a explosão da vingança, porque agora Nikki precisa aprender a preservar a vida em vez de apenas tirá-la, mas o roteiro de Bong-Seob Mun é confuso demais para permitir que essa profundidade cresça.
A partir daí o filme dá um salto para ação e é onde também se perde. Os vilões como ‘o presidente’ e a cúpula são medrosos, fracos e sem a imponência que o gênero exige, fora a tentativa de usar o tempo como pressão (72 horas), que se perde na própria montagem porque saltamos para as 30 horas finais sem qualquer explicação do que foi feito nesse intervalo.
Adrian Grünberg (que já dirigiu Rambo) tenta imprimir um ritmo de destruição que o filme pede, com sangue, incêndio e perseguições, mas não consegue salvar o longa. A reviravolta final, para mim, é a pá de cal, em vez de abrir portas para uma nova franquia, ela enterra qualquer possibilidade de desenvolvimento interessante.
Infelizmente as comparações com Busca Implacável são inevitáveis, mas seria ótimo se tivéssemos uma protagonista feminina que não fosse apenas uma caricatura derivada de fórmulas que já vimos tanto. A sensação é que a Milla Jovovich entrega tudo, mas o roteiro não ajuda, um um desperdício de alguém como ela que já carregou uma franquia nas costas.
Para quem cresceu vendo a força dela em Resident Evil, o conselho é um só: guarde aquela imagem na memória.