11/04/2022
Vindo da obra clássica de Stephen King, "O Nevoeiro" se tornou mais um best-seller do escritor e se tornou um filme, que resgatou a aura dos filmes de terror, perto de 2010, quando os filmes de terror estavam se tornando cliches o bastante, para fazer até os mais apaixonados, deixarem de gostar do gênero.
E falo tranquilamente uma coisa. Sempre escutei falar bem, mas quando assisti não coloquei uma expectativa sobre o filme. Isso foi bom, pois o longa me surpreendeu muito. É com certeza um dos melhores filmes de terror que já assisti, que aborda diversos elementos de forma completa. O pânico social, o medo pelo desconhecido, o jogo de poder, a loucura religiosa e o confinamento, que coloca em cheque toda a moral e ética de cada personagem.
Está é a premissa que Frank Darabont utiliza em mais uma adaptação de um livro do Stephen King. Ele já tinha dirigido "Um Sonho De Liberdade" e "À Espera De Um Milagre", ambos também adaptações de livros do Stephen King. O que mostra duas coisas: que o diretor consegue flutuar entre gêneros, e que o homem sabe fazer um bom estudo do que cada adaptação pode render.
O filme começa com a rotina de uma família após uma tempestade. David e seu filho, vão até o supermercado para garantir alguns suprimentos, até que são surpreendidos pelo surgimento de uma névoa misteriosa, trazendo alguns monstros mortíferos. Preso do lado de dentro do mercado, não demora muito para o egocentrismo do ser humano aparecer e a urgência de sair daquele lugar, ser uma prioridade.
Esse tipo de filme, sobre confinamento no gênero de terror, sempre tem uma narrativa que é estruturada por certos personagens: o artista, a professora, o candidato a líder (que no primeiro momento, se ausenta da liderança, e ao longo do filme se torna um líder), o oráculo, os babacas e a primeira vítima.
Se cada um f**a estabelicedo dentro do roteiro com uma funcionalidade para narrativa, mesmo que clichê, tende a fazer com que o espectador entender e compreender algumas coisas, sem aquela necessidade de f**ar descrevendo toda hora tudo o que está acontecendo na tela. Isso sem falar, que quanto mais originalidade esses personagens tem, mais o espectador se sente dentro dos dilemas éticos e morais que estão presentes no filme.
E isso acontece! Para felicidade geral!
Não sei se o filme é uma completa adaptação fiel do livro para o mundo audiovisual. Porém, caso não seja, não fique decepcionado. O filme tem uma aura pessimista, que usa a história ao seu favor para se reverter no final se tornando ainda mais interessante. Sem falar das inúmeras referências a filmes de terror clássicos, como "Sinais" do M. Night Shaymalan ou "Os Pássaros" do Alfred Hitcook.
Mas a maior referência, com certeza vem dos contos de H.P. Lovecraft. O autor sempre tratou a aura do terror, como algo não perceptível ao ser humano, alegando que o contato com criaturas sobrenaturais, levaria qualquer ser humano a loucura. No caso, imagine que nos seres humanos não temos uma mente prepara para absorver o que seria uma invasão alienígena, ou de criaturas de outra dimensão, que possuem diversos tamanhos e formas. O medo que você sente ao olhar um lugar escuro e não saber o que você vai encontrar ali, é apenas uma pequena porcentagem do medo que você pode sentir ao ver uma criatura de outro planeta.
O filme não tem um trabalho tão bacana com a computação gráf**a e os efeitos práticos quando mistura ambientes reais. Mas, compreensível. Estamos falando de um filme de baixo orçamento, como também de um filme de 2008. E isso é um detalhe bobo, que não atrapalha nada as sequências de ação, que tem uma direção guiada pela lente da direção de Darabont e a montagem de Hunter Via que exalta essas criaturas, mostrando o quanto elas são bizarras, diferentes e ameaçadoras. E uma coisa que me deixou muito feliz, muito feliz mesmo, é que esse filme se afasta dos clichês.
O trabalho de som, responsabilidade de Mark Isham, tem uma trilha sonora tão ausente, que se comparada com os filmes de terror recente, em que a trilha precisa (não por qualidade) ser altamente dramática e cheia de momentos altos, junto com jump scares para tentar dar algum susto no espectador. Isso mostra, que mesmo com pouquíssimos recursos, um bom roteiro e uma boa direção, o que faz um bom filme, é a forma como ele é contato. Isso é o que marca as pessoas, o que torna inesquecível.
"O Nevoeiro" é um filme tenso. Tem altas doses de adrenalina, em um terror psicológico, com uma narrativa que sabe o que explorar da melhor forma, dentro da trama imersiva, sobre valores éticos e morais, levando as opiniões e atitudes ao extremo.