Isso porque ela carrega personalidade e uma história de resistência. No século XIX, a cidade do Rio de Janeiro, centro cultural e econômico do país, abrigava desde barões da alta sociedade até os escravos africanos provenientes da Bahia que possuíam organizações e sistemas de relação próprios. A base da alimentação desses escravos era o angu, preparado e vendido pelas mulheres negras que utilizava
m uma mistura de fubá e miúdos de carne de boi ou porco no preparo. Com o dinheiro arrecadado, as “tias negras” começaram a comprar moradias no bairro da Saúde, região portuária da Cidade Carioca. Rapidamente essas casas de angu se tornam o centro da sociedade afro-brasileira. Nos encontros que ocorriam lá surgiram as sementes que deram origem a verdadeiras paixões nacionais como o samba, o choro, a capoeira, a nossa ginga e malandragem. Esses autênticos caldeirões culturais, rapidamente chamaram a atenção da sociedade que começou a reclamar do barulho, do zum zum zum que rolava nessa região da cidade, que abrigava diversas casas de arquitetura incomum empilhadas entre ruas estreitas formando um verdadeiro labirinto.
É aí então que surge a expressão ZUNGU, como forma de cultura urbana marginal, sagaz e inventiva. ZUNGU é o rumor de muitas vozes, um símbolo da criatividade cultural do
povo brasileiro, que hoje é admirado em qualquer parte do mundo graças ao nosso DNA único. E é com esse mesmo espírito produtivo que o coletivo Cinema ZUNGU busca registrar a cena cultural atual e seus personagens, que colocaram o graffiti dentro de galerias de arte, transformaram esportes e gêneros musicais essencialmente marginalizados em estilo de vida e que continuam a cada dia inspirando mentes a quebrar paradigmas dentro da sociedade. Esta é muito mais que a descrição de uma empresa. Para nós, é uma forma de exaltar e contribuir com o olhar brasileiro. Seja bem vindo à roda, pois o ZUNGU está apenas começando.