Inês Henriques - The New Feminine

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Há qualquer coisa de profundamente íntimo em convidar alguém a acompanhar-nos no nascimento de um filho.É abrir a porta,...
12/10/2026

Há qualquer coisa de profundamente íntimo em convidar alguém a acompanhar-nos no nascimento de um filho.

É abrir a porta, num momento em que tantas coisas estão a mudar. Em que podemos sentir-nos mais vulneráveis, mais permeáveis, mais próximas de partes de nós, que nem sempre sabemos como acolher.

Nestas entrelinhas surge a pergunta:

Como podemos entregar a alguém um lugar tão próximo de nós sem que exista uma relação que sustente essa proximidade?

Para mim, o acompanhamento começa na disponibilidade para nos encontramos … para além dos papéis que desempenhamos, para além daquilo que sabemos, para além da ideia do que cada uma de nós traz sobre o que deve ser um acompanhamento.

Começa quando deixamos de ser apenas uma mulher que procura uma Doula e uma Doula que oferece uma serviço, e começamos a construir uma relação real.

E isso não acontece por decreto.
Não acontece porque existem sessões previstas, um contrato assinado ou um conjunto de coisas que ficam asseguradas.

Acontece na forma como nos vamos conhecendo. Na confiança que cresce. Na liberdade de dizer, na coragem de perguntar, na possibilidade de sermos honestas sobre aquilo de que precisamos e sobre aquilo que podemos oferecer.

Eu também preciso de vos conhecer. De compreender quem são, como chegam a esta gravidez, o que desejam para o nascimento e que lugar me convidam a ocupar nesta experiência.

E isso exige de mim muito mais do que cumprir aquilo a que me comprometo. Exige atenção, intenção, disponibilidade e o cuidado de não transformar pessoas e histórias singulares em acompanhamentos iguais.

Então, há um encontro que tem mesmo que acontecer. Uma confiança que se vai tornando possível e um compromisso partilhado de cuidar do espaço que estamos a criar.

Não para que tudo seja perfeito, nem para que desapareçam as dúvidas ou os imprevistos.

Mas para que, quando chegarem os momentos de maior intensidade, exista algo que não começou ali. Uma relação.

E é isso que quero comstruir com as mulheres e os casais que acompanho.

Nao um pacote de sessões,
mas uma relação que tenha tempo para nascer, espaço para crescer e sentido para todos os que dela fazem parte.

Ines 🤍

Estar presente na gravidez, no parto e no pós-parto de uma mulher é muito mais do que estar presente em determinados enc...
09/10/2026

Estar presente na gravidez, no parto e no pós-parto de uma mulher é muito mais do que estar presente em determinados encontros ou num dia que ficará para sempre na sua história.

É entrar, com respeito, num espaço profundamente íntimo e vulnerável da vida de alguém.

E por isso pede tempo. Pede disponibilidade. Pede escuta. Pede que se construam pontes.

Porque não se cria confiança apenas por termos conversado algumas vezes, nem porque alguém nos escolheu para estar presente no seu parto.

A confiança vai nascendo nos encontros, nas conversas que se prolongam, nas perguntas que encontram espaço, na possibilidade de dizer aquilo que não se conseguiu dizer a mais ninguém.

Vai nascendo quando uma mulher sente que não precisa de corresponder a nenhuma expectativa. Que um casal percebe que pode trazer as suas dívidas, os seus receios, as suas diferenças e até aquilo que ainda não sabe explicar.

E há um trabalho que acontece para além das sessões.

Há o cuidado de conhecer aquela mulher e aquele casal, de compreender a sua história, de escutar o que procuram e o que os inquieta. Há a preparação, a reflexão, a disponibilidade emocional e o compromisso de estar verdadeiramente presente para aquela família, e não apenas para o momento do nascimento.

Mas uma relação constrói-se a dois.

Da minha parte, existe o compromisso de criar espaço, de escutar sem julgar, de estar disponível dentro dos limites do acompanhamento e de cuidar da relação que estamos a construir.

Da parte de quem me escolhe, existe também um convite à abertura, à participação e à construção dessa confiança.

Não precisamos saber tudo uns sobre os outros desde o início. Precisamos estar disponíveis para nos conhecermos.

Porque quando chega o momento de maior vulnerabilidade, a confiança ( que não começa ali ) segurar o espaço do tanto do que pode acontecer.

É por isso que, para mim, um acompanhamento de Doula nunca será apenas um conjunto de sessões ou a presença no dia do parto.

É uma relação que se constrói para que, quando chegar esse dia, não estejamos no mesmo lugar do dia que nos conhecemos.

Estejamos verdadeiramente junt@s 💫

O parto acontece num momento.A travessia começa muito antes.Começa talvez no momento que descobres que estás grávida. Ou...
08/10/2026

O parto acontece num momento.
A travessia começa muito antes.

Começa talvez no momento que descobres que estás grávida. Ou antes até.

Na relação que tens com o teu corpo.
Na forma como te sentes segura.
Nas histórias que trazes.
Naquilo que ouviste sobre o parto.
Nos medos que já conheces e nos que ainda nem sabes nomear.

Começa nas perguntas que começas a fazer.
Sobre o parto, sobre a maternidade, sobre o casal.
Sobre quem és e quem estás a tornar-te.

Porque preparar um nascimento não é apenas saber o que acontece quando começam as contrações.

É também perceber o que precisas para te sentires segura.
É conheceres o teu corpo.
É reconhecer aquilo que te pertence e aquilo que herdaste.
É encontrar espaço para as tuas dúvidas, os teus desejos e também os teus medos.

E talvez por isso, para mim, acompanhar uma mulher na gravidez nunca foi acompanhá-la na preparação para o parto.

Há uma travessia a acontecer muito antes desse momento… e é nesse espaço que o meu trabalho como Doula começa.

Há retiros que terminam. E depois há aqueles que continuam a acontecer dentro de nós.Este último DEEP WATER foi, para mi...
07/10/2026

Há retiros que terminam.

E depois há aqueles que continuam a acontecer dentro de nós.

Este último DEEP WATER foi, para mim, o mais inesperado de todos.

Não cumprimos uma rota previamente desenhada.
Não tentámos chegar a um determinado lugar.

Escutámos.

O grupo.
O corpo.
O silêncio.
Aquilo que estava vivo naquele momento.

Houve momentos de muita emoção.
Riso. Silêncio. Água. Trovoada. Respiração.
Houve mulheres a encontrarem-se umas nas outras e, através umas das outras, a encontrarem-se um pouco mais a si mesmas.

Eu ali.
Mais presente do que nunca.
Emocionada.
Adulta.
Inteira.

E, talvez pela primeira vez, com a sensação muito nítida de estar exactamente no meu lugar.

A observar, a acompanhar, a confiar.
E a maravilhar-me com esta ferramenta absolutamente extraordinária que é a respiração.

Com aquilo que pode acontecer quando deixamos o corpo falar para além daquilo que a mente já sabe contar.

E com aquilo que se torna possível quando mulheres trabalham juntas.

Porque há qualquer coisa que acontece num grupo de mulheres que não acontece da mesma forma quando estamos sozinhas.

Uma sustenta.
Outra abre.
Outra lembra.
Outra testemunha.

E, sem darmos por isso, aquilo que parecia impossível de tocar começa a encontrar caminho.

Talvez seja por isso que o DEEP WATER se tornou para mim, não um retiro, com um programa, mas um espaço vivo.

Um lugar onde não preciso de saber exactamente para onde vamos, para poder confiar na travessia.

E acho que agora sei uma coisa que antes não sabia:

O DEEP WATER NÃO É ALGO QUE EU FAÇO,
É ALGO QUE ACONTECE QUANDO ESTAMOS JUNTAS.

E por isso, sim

VAI VOLTAR.

Ha encontros que, quando encontram a sua forma, deixam de fazer sentido terminar.
E este, é um deles💫

Inês
07.10.2026

Voltar a casa 💫  📸 Sara Matos
06/10/2026

Voltar a casa 💫



📸 Sara Matos

Acredito que todos os dons e ferramentas perdem força quando não são partilhadas com o mundo.Eles não [nos] chegam por s...
05/10/2026

Acredito que todos os dons e ferramentas perdem força quando não são partilhadas com o mundo.
Eles não [nos] chegam por sermos especiais, antes, para que sejamos um canal para o mundo.

Assim tem sido.

E no caminho solitário que é trabalhar no que parece invisível, tenho sustentado a minha confiança na vida.

Em fins-de-semana como este, âncoro certezas sobre o caminho presente e abro portais para o que o desejo, de coração aberto e pés no chão.

Nunca deixarei de me emocionar com a entrega,
a generosidade,
a empatia,
o colo
e o impulso que estas mulheres partilham umas com as outras.

Em momentos como este, em que vi a RESPIRAÇÃO convidar à superação, à gentileza e ao crescimento pessoal e coletivo, sei que não há mesmo mais nada que possa guiar este trabalho senão o AMOR 💫

É assim que voltei para casa, inundada de tanto amor.

Obrigada a cada uma de vocês pelo tanto que me confirmam sobre sororidade 🤍



📸 pelo olhar doce da nossa Sara Matos

há uma espécie de magia que acontece, no primeiro encontro, entre uma mãe e o seu bebé, em que não existe interferência....
29/09/2026

há uma espécie de magia que acontece, no primeiro encontro, entre uma mãe e o seu bebé, em que não existe interferência.

não é sobre palavras.
é sobre duas almas que se olham pela primeira vez.

sobre a pele de um em fusão com a do outro.

um calor visceral e uma emoção jamais experimentada em qualquer outro momento da vida humana.

quando me perguntam porque sou Doula?

ser guardiã deste instante, é fazer parte de um movimento pela paz no mundo.

hoje não tenho dúvidas sobre isso 🤍

Existe um espaço seguro onde nos sentamos, olhos nos olhos, e respiramos a vida que está mesmo aqui, à espera que possam...
21/09/2026

Existe um espaço seguro onde nos sentamos, olhos nos olhos, e respiramos a vida que está mesmo aqui, à espera que possamos abrir espaço para ela entrar.

🍁 18 de Outubro
🍁 Pinhal das Areias - Alcochete
🍁 9h00 - 12h00

Mais informações e inscrições - MP

há dias em que as palavras parecem escassas, face ao sentir que me inunda após um Círculo.poder fazer do que mais me pre...
19/09/2026

há dias em que as palavras parecem escassas, face ao sentir que me inunda após um Círculo.

poder fazer do que mais me preenche o meu trabalho, é a maior benção que poderia ter 🤍

segundo filho a entrar pela porta do 1.ano - de uma escola em Portugal - e há um bocadinho de mim que se desmancha. pens...
14/09/2026

segundo filho a entrar pela porta do 1.ano - de uma escola em Portugal - e há um bocadinho de mim que se desmancha.

pensava que a experiência trazia mais leveza, mas não, essa, só mesmo a ignorância é que nos patrocina.

num momento em que se fala de mudanças na educação, é demasiado triste, ver que nada tem como cerne a verdadeira revolução que a escola precisa.

hoje ouvi a frase: “aqui vai ser assim: eles trabalham e eu ensino”.

que lugar é este onde professores genuinamente acreditam nisto? que a aprendizagem vem deste de lugar de escutar o que outro tem para dizer?!

estamos a anos luz de avistar uma escola centrada na criança, e isso nunca deixará de ser profundamente esmagador.

hoje gostava que o meu filho tivesse entrado para a escola - não dos meus sonhos - mas para a que qualquer criança merece ter. só que não …

mais uma sala com poções mágicas para fazer de conta, um recreio cheio de betão e nada, e pessoas a gritar regras para que a escola seja um lugar fazível para os adultos.

chamem-me dramática, mas cada vez que um filho meu põe os pés no 1.ciclo morre um bocadinho meu.

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