Figuras do Herói - Colóquio

Figuras do Herói - Colóquio Colóquio: Figuras do Herói. Universidade do Minho, Braga Como funcionam esses regimes ? Que éticas heróicas informa ? Em que consiste o heroísmo do anti-herói ?

As comunicações no colóquio Figuras do Heroi, que se reaIiza na UM nos dias 26, 27 e 28 de Abril de 2012, podem tratar apenas um ou combinar alguns destes tópicos:

O herói e a Lei

Prometeu, Roland, D. Juan, Antígona... encarnam diferentes regimes da relação do herói à lei (fundação, desafio, submissão, subtração, resistência). Até que ponto o herói serve o superior interesse coletivo ou bem comu

m ? Qual o peso dos interesses e inclinações pessoais (a vingança, por exemplo) na aventura ? O que significa do ponto de vista ético a função de vítima sacrificial que alguns heróis assumem ao servirem o bem comum? Aqueles que quebram as leis fundamentais da ordem humana (Édipo, D. Juan, Fantômas) podem ser considerados heróis ? O anti-herói

Ao inverso das narrativas mais clássicas, a (pós-)modernidade assistiu à consolidação da figura do anti-heroi, muito presente, por exemplo, no cinema. Trata-se daquele tipo de protagonista, cuja origem mais ao menos remota se situa no Romantismo, em torno do qual gravita a acção, mas que já não se apresenta marcado por uma moralidade sem mácula. Este tipo de herói já não visa forçosamente o resgate de um bem comum e cede facilmente a derivas marginais; no plano ético, pauta-se não poucas vezes por uma moralidade assaz dúbia, que não hesita em cometer o crime em nome de um valor superior, por exemplo; ou mesmo em nome de um interesse meramente pessoal. É exemplo suficiente deste tipo de anti-herói o protagonista sem nome dos westerns de Sérgio Leone, carismaticamente desempenhado por Clint Eastwood. Morfologias da aventura

A aventura pode consistir numa ação exterior de purificação do mundo com um eventual significado histórico-político: procurar um tesouro, libertar alguém, descobrir um criminoso, combater terroristas, traficantes, tiranos; ou numa ação interna de purificação espiritual e acesso a um saber ou verdade sobre sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre a vida; ou em combinações várias de ambas as formas cujos regimes importa estudar. Qual a relação da aventura com a vida quotidiana ? Insere-se ela na existência compreendida entre o era uma vez e o viveram felizes para sempre do conto ? Ou corresponde a aventura, pelo contrário, a uma descontinuidade na linearidade da existência que a projeta para um plano transbiológico que deixa o her´ói sem passado e sem futuro ? Quais os processos de desconstrução da aventura e da sua absorção pelo everyday life? Mmorfologias e regimes poderão estar associados a paradigmas da aventura ? Será possível falar em regimes ou modelos tradicionais, modernos e pós-modernos da aventura ? Herói e Família

Hércules, Artur, Tintin, Wonder Woman, Moisés, Perceval, Beatrix K.… Órfãos, bastardos, crianças expostas, sem família, matricidas... As relações do herói com a família de origem e/ou com a família que ele ou ela constituiu são problemáticas. Dividido entre a aventura e a família (que abandona, trai, esquece provisoriamente ou para sempre e/ou que protege, salva, recompõe, reune), o herói aparece frequentemente dilacerado entre a esfera pública e a esfera privada da existência, mantendo-as em tensão ou fazendo-as coincidir. Que configurações da relação entre público e privado encontramos e que perfis heróicos lhes estão associados ? Heróis e máscaras

Os perfis heróicos resultam de uma retórica da (auto)apresentação e (auto)representação, incluindo retrato e auto-retrato, auto-encenação, pose, atitude. Desde o Bel Inconnu, o cavaleiro incógnito dos romances medievais, até Zorro ou Spirit, passando pelos super-heróis, fatos, armas, máscaras e mascarilhas dão contornos de sombra e de mistério à identidade opaca ou perdida do herói. Outras formas há porém de encenar uma opacidade subjetiva ou uma personalidade enigmática sem usar máscara (por exemplo, a pose de Corto Maltese). Como funcionam essas formas de márcara sem máscara ? Heróis digitais

Com o desenvolvimento do cinema de animação digital, novos protagonistas, marcados por novas figurações, ganharam relevo e assumem-se explicitamente como sucessores das outrora célebres figuras, nomeadamente as do imaginário da Disney, mas não só. Estas figuras heroicas, que tanto são decalcadas de gente de carne e osso, como podem provir de esferas perfeitamente inumanas (como é o caso de carros que falam e heroicamente ganham corridas; ou brinquedos que convivem com humanos e que destes se destacam pela aventura de que são objeto), podem (d)enunciar já uma dimensão heróica pós-humana. Heróis e paródia

A pós-modernidade detém-se a reformular parodicamente muitas das narrativas patrimoniais, e não apenas. Assim, se o imaginário dos contos de fadas é reescrito a partir da figura grotesca de um ogre simpático que percorre um trajeto heroico em tudo tradicional, só que subvertendo parodicamente as componentes canónicas desses contos de fadas, com efeitos de inegável humor, como é próprio da paródia, a verdade é que também um herói como o célebre espião 007 não escapa a ser parodiado por um não menos célebre duplo paródico, Johnny English (Rowan Atkinson). Quais as relações que os heróis mantêm com os seus duplos paródicos? Em que componentes assenta sobretudo a paródia e a desconstrução cómica da figura do herói?

10/05/2012
04/04/2012

Desde tempos imemoriais, os grupos humanos tem criado heróis para neles projetarem os seus ideais e valores, fundamentar a sua existência e problematizar a sua estrutura ética. Desde o semi-deus antigo ao herói urbano pós-moderno, as configurações histórico-culturais da figura heróica apresentam-se múltiplas e variadas. Há heróis e heroínas míticos, trágicos, cómicos, épicos, romanescos, picarescos, clássicos, tradicionais, modernos, contemporâneos, anti-heróis, super-heróis. O herói tem mil caras.

Esta diversidade não impediu porém o reconhecimento de uma estrutura ou morfologia invariante - o monomito, o arquétipo ou o mitologema heróico -, determinada em grande parte pela função do herói nos mitos: fundador e transgressor, ele ou ela instaura a ordem humana pela rutura com a ordem divina. O herói mítico, que se situa para lá da lei e da ordem que fundou, constitui a referência e a medida das tipologias heróicas e assim todo o herói preserva algo deste modelo: mediador entre ordem e contra-ordem, caracteriza-se por uma atitude de denegação em relação à lei e ao poder (age ao seu serviço mas simultaneamente excede-os). Desta denegação derivam o seu hibridismo e liminaridade, as suas deslocações entre dois mundos (o dos vivos e o dos mortos, o do sonho e o da realidade, o dos civilizados e o dos selvagens). O herói é essencialmente aquele ou aquela que se expõe ao que advém (advenire, a(d)ventura), que está disponível para o encontro (ou encontrão) com a alteridade radical, a procura de uma dimensão perdida, material e/ou imaterial, a mutação da identidade e/ou a transformação do mundo.

Dissidente, desertor, mestiço, pirata, missionário, repórter, viajante, sedutor, detetive, explorador, arqueólogo, justiceiro – estas e outras figuras heróicas encontram-se, no masculino e no feminino, em mitos, contos, romances, teatro, cinema, banda desenhada, vídeo-jogos. Neste colóquio, queremos analisar e discutir estas e outras figuras em textos e suportes vários, através de diferentes abordagens (inter)disciplinares (narratologia, estudos sobre o imaginário, estudos culturais, psicanálise, estudos intermediais, neo-comparatismos, etc).

15/02/2012

Aquiles e a Mitologia Grega

Na mitologia grega, Aquiles participa na Guerra de Tróia. É o personagem principal e também é considerado o maior guerreiro da Ilíada, de Homero.

Aquiles era conhecido pela sua extrema beleza física, mas também pela sua inteligência e destreza na luta contra o inimigo, era o mais forte de todos os guerreiros. Contudo tinha um ponto fraco, o seu calcanhar. A sua morte havia sido causada por uma flecha envenenada que o teria atingido exactamente nesta parte do corpo. A expressão "calcanhar de Aquiles", que indica a principal fraqueza de alguém, tem aí a sua origem.

A Ilíada de Homero é a narrativa mais famosa dos feitos de Aquiles na Guerra de Tróia.

Aquiles era filho da nereida Tétis e de Peleu, o rei dos mirmidões. Tétis era uma das várias filhas de Nereu e Doris e Peleu era filho de Éaco e Endeis.

Conta a historia que Aquiles é obrigado a afastar-se da batalha depois de ser desonrado por Agamémnon, comandante das forças aqueias. Agamémnon havia capturado uma mulher chamada Criseida como sua escrava. O pai da jovem, Crises, sacerdote do Deus Apolo implorou para que este a devolvesse, mas em vão. Mais tarde Agamémnon consentiu então em devolver Criseida ao pai, porém ordenou que Briseida escrava de Aquiles, lhe fosse trazida como substituta. Enraivecido com a desonra e incitado por Tétis, Aquiles recusou-se a lutar ou liderar as suas tropas em conjunto com as forças gregas.

Não tardou a que as tropas gregas perdessem terreno na batalha. Nestor afirmou que os troianos estavam a ganhar porque Agamémnon havia enfurecido Aquiles. Depois da insistência de Nestor, Agamémnon cede e concorda em fazer as pazes com o guerreiro, para isso oferece-lhe o retorno de Briseida e outros pertences. Aquiles recusa e ainda ínsita os gregos a voltar para casa.

No entanto, ansioso por obter glória, a despeito de sua ausência no campo de batalha, Aquiles rezou para que Zeus favorecesse os troianos, que liderados por Heitor empurraram o exército grego para a praia, e tomaram de assalto os seus navios.

Pátroclo, na tentativa de reverter a situação, fez-se passar pelo amigo, Aquiles vestindo a sua armadura, e liderou os mirmidões na batalha. Conseguiu expulsar os troianos das praias que estavam ocupadas pelos gregos, porém acabou por morrer às mãos de Heitor antes que este pudesse organizar o contra-ataque à cidade de Tróia.

Furioso com a morte de Pátroclo, Aquiles reconsidera a sua decisão de se afastar do combate, e volta à batalha, na sua desesperada procura por Heitor mata todos os homens que se atravessam no seu caminho. Zeus, ao perceber a dimensão da fúria de Aquiles, envia deuses para o conter.

Finalmente, Aquiles encontra Heitor depois de o perseguir à volta das muralhas de Tróia. Aquiles obteve por fim a sua vingança, matando Heitor com um único golpe no pescoço. Amarrou o corpo do derrotado ao seu carro, e arrastou-o pelo campo de batalha durante nove dias.

14/02/2012

Revistas que incluíam BD

A partir da I Republica a infância mereceu uma atenção especial por parte dos intervenientes sociais, entre eles os artistas. A BD infantojuvenil ganhou espaço nas revistas e jornais da época. Esta BD funcionava em dois suportes distintos, ou era secções para crianças integradas nas próprias publicações, ou mesmo suplementos autónomos com uma numeração própria que formavam autênticos jornais.

Nos anos 20 assistia-se a um fervilhar de publicações, algumas com apenas uma edição, outras duraram cerca de cinquenta anos, como é o caso de o Pim Pam Pum!. Integrando desde jornais a revistas das mais variadas áreas, adotam diversas posturas perante as crianças, desde as mais tradicionais às mais irreverentes.

As publicações de origem estrangeiras eram uma constante em alguns jornais e serviam muitas vezes de inspiração aos autores portugueses.
A primeira revista desta época a ter uma secção infantil foi a Ilustração Portuguesa que contou com a participação de Rocha Vieira. Emmérico Nunes também publicou diversas histórias sob a temática da partida, ou tropelia e castigo respetivo, ou simples cenas domésticas.

Por sua vez a Civilização teve uma secção infantil assegurada inicialmente por Marimília e mais tarde por Guida Ottolini. Contou também com a participação de Roberto Nobre.

Ofélia Marques, uma das principais autoras portuguesas de BD participou secção Matinée Infantil do Casino. Mas foram os jornais de BD que eternizaram as suas mais significativas concretizações.

14/02/2012

Será Adão um Herói?

A mãe de Parsifal era viúva e, portanto, Parsifal era órfão. O pai, Sir Lancelot, era Cavaleiro, morrendo, juntamente com dois irmãos de Parsifal, num combate próprio dos Cavaleiros. Para a mãe, o filho não haveria de morrer como o pai. Parsifal foi sempre protegido por sua mãe, não fosse ela perder mais um dos que amava. Ela queria-o bem, para sempre com ela. Parsifal cresceu belo e com bom porte, mas a sua educação, de modo a não saber sequer da existência de Cavaleiros ou da identidade do pai, não lhe desenvolveu muito a inteligência. Isto não o impediu de se tornar Cavaleiro e de encontrar o Santo Graal, ainda que não se tenha apercebido que o teve à sua frente.

Max encontrava alegria no mundo da imaginação e do sonho, onde porém ninguém o acompanhava. As suas brincadeiras esticavam cordas que pretendiam puxar os outros para as suas aventuras. Um dia a mãe de Max decidiu puxá-lo pela corda, tanto que ela rebentou e ele foi cair dentro de um barco. Ele remou por um dia e uma noite até chegar ao sitio onde vivem os Monstros, do outro lado do mar. Aí, antes de regressar a tempo de jantar, teve tempo para construir uma fortaleza e tornar-se Rei dos Monstros.

Diana, princesa de Temiscira, de onde se retirou o barro para fazer o seu corpo, é uma criação mística cuja alma foi nutrida e devolvida da Caverna das Almas. Também conhecida por Wonder Woman, bela como Afrodite, sábia como Atena, forte como Hércules, rápida como Hermes, gozava de eterna satisfação em Paradise Island, regogizo próprio de um lugar rodeado de mar onde apenas habitam mulheres. Diana era a melhor e mais bela das Amazonas da ilha, com treinos constantes que paradoxalmente conseguiam aperfeiçoar estes seres já tão perfeitos. Todos os seus poderes deixaram de lhe pertencer quando a Princesa Diana decide, quebrando a "Lei de Afrodite", tornar-se Diana Prince, e devolver um oficial dos serviços secretos que despenha o seu avião em Paradise Island e, à terra dos homens, ir combater o crime e o mal.

Deus pegou num pedaço de argila e fez o corpo do homem. Então, soprando-lhe pelas narinas, o homem tornou-se um ser vivente. Javé Deus pegou no homem e colocou-o no jardim do Éden, quando lhe disse: "podes comer de todas as árvores menos da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois nessa altura concerteza morrerás." Mais para a frente, já Adão não tinha costela, uma serpente, o mais astuto dos animais, disse a Eva que comer aquela maçã não a mataria, mas que lhe abriria os olhos para um conhecimento que só a Deus pertence. Então Eva, depois de comer, dá a maçã a Adão, que também a come, acabando por ter que sair do Paraíso.

08/02/2012

Sandman é uma banda desenhada criada por Neil Gaiman. As suas histórias descrevem a vida de Sonho (que também é conhecido como Morpheus, Sandman, Oneiros, (Lorde) Moldador, Kai’Ckul e vários outros em línguas já esquecidas), o governante do Sonhar (o mundo dos sonhos) e sua interação com o universo, os homens e outras criaturas. Sonho é um Perpétuo - os Perpétuos (the Endless) são manifestações antropomórficas de aspectos comuns a todos os seres vivos: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio. Os 7 perpétuos não são deuses, mas sim entidades além, responsáveis pelo ordenamento da realidade conhecida. Só sua existência mantém coeso o universo físico e todos os seres vivos.

são tantos os caminhos que me têm
agora como ponto de partida,
mas só um eu percorri, mal ou bem,
no Destino que só é desta vida.

de tantas vidas por que caminhei
em nenhuma delas encontrei sorte.
por mais que tente não escapo da lei:
a última a morrer será a Morte.

de tanto Sonho que por mim passou
guardo aquele que me faz querer sonhar.
à areia que em meus olhos se deixou
quero tê-la enquanto a vida durar.

com tanta Destruição me deparo,
abrindo os olhos ao mundo em que vivo,
que sem querer também destruo e reparo
que se não destruir não sobrevivo.

a tanta coisa quero segurá-la
que me escapa até o que mais Desejo.
mas quando consigo só quero dá-la
para não ser só cá dentro que a vejo.

a tanto que se quer e não se alcança
se deve tudo o que é em exagero.
quando se acaba toda a esperança
o que há a seguir é o Desespero.

com tanta confusão nem tenho medo
da alucinação que vive por mim.
deste mundo já lhe sei o segredo:
vai viver em Delírio até ao fim.

Poema de Henrique Cachetas

06/02/2012

Início da BD para crianças em Portugal

No século XIX em Portugal, o público alvo da Banda Desenhada eram os adultos. Existiam poucos jornais infantis e isso contribuía para a deficiente divulgação da BD. A escassa banda desenhada existente na época era de origem alemã o que dificultava ainda mais o acesso das crianças à mesma. Em 1883 o Jornal da Infância inclui pela primeira vez em Portugal a BD em português. Contudo havia quem acreditasse que esta não passava de uma adaptação de W. Busch feita por Ribeiro Arthur, Thomaz de Melo e Rafael Pinheiro.

Alfredo de Moraes, no ano de 1894, reuniu esse material num livro intitulado O Livro das Creanças. Este pode ser considerado o primeiro álbum de banda desenhada portuguesa para crianças.

A partir de então surgiram publicações de histórias em imagens coloridas em língua portuguesa, para venda não só em Portugal mas também no Brasil.
O Gafanhoto surgiu em 1903 e é considerada pelos críticos a mais bela revista para crianças. Continha banda desenhada estrangeira, entre as quais Caran d’Ache, mas apenas uma portuguesa, de Manuel Gustavo Pinheiro.

05/02/2012

A utilidade de um jugo.

É algo próprio dos bois, mas só porque os humanos perceberam que a união faz a força. É, portanto, algo ainda mais próprio dos humanos. Jugo é uma palavra cuja raiz é a mesma da palavra Yôga, ou seja, yug.

Yug, termo sânscrito, significa, precisamente, unir. Há no ocidente, como nas diferentes línguas que se espalham pelo globo, uma palavra equivalente a esta oriental. É a palavra Religião. É algo cuja prática, ou melhor, a vivência, permite a união efectiva da alma com o corpo, dos humanos entre si e com o que quer que o universo seja. Isto manifesta-se em rituais que dão vida aos símbolos, em códigos morais que guiam e em conceitos metafísicos adaptados à mentalidade de cada povo.

O herói, tantas vezes o agente das mitologias e das histórias religiosas, é ao mesmo tempo um conceito metafísico, um símbolo e um demarcador dos limites morais. Quer seja por fundar, por seguir ou por quebrar o código moral, quer ele sobressaia por carregar o jugo ou por se ver livre dele, a acção do herói torna clara a ténue linha que separa as polaridades presentes no mundo: entre o bem e o mal; entre a coragem e a cobardia; entre a verdade e a mentira, entre o dever e a liberdade.

A ideia que o jugo foi inventado para subjugar os bois, apesar de redundante, é algo incompleta e redutora. Subjugar um boi para puxar uma carroça ou um arado é tão moralmente aceitável quanto fazê-lo a dois. Mas neste último caso o esforço é duas vezes menor. Além disso, o objectivo não será controlar os bois, pois existem muitas outras formas para o fazer, mas sim dar ar à terra (arar) para que as sementes possam crescer e dar alimento aos homens para que eles possam desenvolver-se. Depois, e só depois, pegar nas sementes e nos frutos e vendê-los como os melhores e únicos verdadeiramente nutritivos é outra coisa que apenas injustamente se chama, do outro lado da analogia, Religião.

Mas quanto aos heróis, para não perdermos o fio à meada, poderão ser eles um exemplo de liberdade em união com a Lei, de uma obediência tão livre, que uma vez seguindo as suas acções, e subjugando-nos ao seu exemplo, de facto nos faça unir com a Coragem, com a Verdade, com o Bem?

20/01/2012

O Mito de Prometeu

Quando Prometeu desceu à terra encontrou-a habitada por plantas e animais. Contudo faltava-lhe o ser supremo, aquele que a dominaria. Então o titã apanhou um pedaço de argila, molhou-a na água do rio e com essa massa fez o Homem à semelhança dos Deuses. Tirou das almas dos animais características boas e más, animando as criaturas. Assim surgiram os primeiros seres Humanos. Uma vez que estes não possuíam qualquer conhecimento de agricultura, construção, astronomia, filosofia, não sabiam caçar nem pescar, entre outras coisas, Prometeu ensinou-lhes todas as artes necessárias ao desenvolvimento da Humanidade. Mas faltava-lhes algo bastante importante para a sua sobrevivência, o fogo, que havia sido negado aos homens por Zeus. Foi então que Prometeu decidiu aproximar-se da carruagem de Febo (o sol) e roubar um raio de fogo para presentear os homens.
Zeus irritado com a sua audácia mandou-o prender no monte Cáucaso com o fígado à mostra e mandou uma águia comer um pouco do seu fígado diariamente.
Prometeu ficou então preso no monte Cáucaso durante várias eras. Um dia Hércules compadecido do seu sofrimento decidiu solta-lo, contudo para que a vontade de Zeus não fosse quebrada, Prometeu teve de usar um anel com em pedaço do monte de Cáucaso. Assim Prometeu ficou para sempre preso ao monte.
É a partir de um acto de desobediência que a ordem humana é formada. O herói, neste caso Prometeu, reconhece uma regra mas decide quebra-la sofrendo depois as consequências dos seus actos. Este é um exemplo da fundação da ordem humana, por parte de um herói, através da transgressão.

"Deixa-me prevenir-te, Ícaro, para que tomes o caminho do meio, não vá a humidade pesar nas tuas asas, se voares muito b...
15/01/2012

"Deixa-me prevenir-te, Ícaro, para que tomes o caminho do meio, não vá a humidade pesar nas tuas asas, se voares muito baixo ou, se fores muito alto, o sol as derreter."
Virgílio - Eneida, livro VI

É comum em histórias de heróis, algures no seu passado ou na origem dos tempos, a existência de uma ruptura, uma dimensão de perda de onde surge a determinação heróica para a aventura. Esta perda está vinculada ao carácter do herói, que tanto pode ser marcado por ela, conferindo-lhe uma certa desmesura, uma tendência para o excesso, ou pelo contrário, pode ser este desmesurado carácter a causa para o rompimento com o passado. Em todo o caso, quer seja através de uma desobediência para com a ordem divina ou um estado de plenitude, resultando num estigma, quer seja na tentativa de recuperar a ordem previamente estabelecida e vilipendiada, é nesse vazio que o herói encontra espaço para a liberdade, para partir numa aventura que o posso levar, ainda que inconscientemente, ao heroísmo redentor, de si mesmo ou do outro. É o percurso heróico o fogo transformador do seu entorno, concretizado em simultâneo à descoberta da sua identidade, do conhecimento de si e dos acontecimentos passados que estão na sua origem. A isto se pode chamar destino, ao mesmo que é tornar-se herói pelos seus feitos ou ser-se herói desde o momento em que se nasce.

Nas Aventuras de Tintin, não se encontra qualquer expressão, nem verbal nem implícita nem de nenhuma ordem, nenhuma alus...
17/12/2011

Nas Aventuras de Tintin, não se encontra qualquer expressão, nem verbal nem implícita nem de nenhuma ordem, nenhuma alusão ou referência ao seu passado ou à sua família, às suas memórias ou origem. Neste sentido, ele é um herói puro, ausente de qualquer elemento substancial que o ligue ao mundo. O único laço com que Tintin aparece, pelo menos nos primeiros álbuns de Hergé, é ao seu companheiro inseparável Milu, também ele desprovido de uma história precedente.

É neste ambiente de liberdade, nesta total disponibilidade que Tintin pode servir ao que é mais essencial, ao seu dever, à lei que considera inadmissível quebrar. Ele põe-se ao serviço, não por seus interesses próprios, não pela sua família, mas pela grande família social, por um mundo ao qual não tem qualquer ligação afectiva. E pela ausência de elementos temporais próprios de um ser biológico, as aventuras do Tintin ressaltam para uma dimensão atemporal, extraída da linha de tempo natural, criando-se um mundo identificável por todos como podendo ser o seu.

No Ceptro de Ottokar, Tintin põe-se ao serviço do Rei da Sildávia, cujo papel se pode comparar a um grande Pai da família social. Este Rei, com a sua função paternal, representa a Lei e a Ordem. O Tintin, com as suas astutas competências e inabalável determinação, vai conseguir, como em muitas outras vezes, recompor a ordem através da restituição do Ceptro do Poder. A isto se chama, da parte do Tintin, de sua função actâncial, aquela em que pela sua acção consegue alterar o rumo dos acontecimentos e, juntando-se a função heróica, restabelecer a harmonia ao conjunto humano que o envolve.

08/12/2011

Dia 26 e 27 de Abril de 2012, no Campus de Gualtar da Universidade do Minho.

Endereço

Braga
4710-057

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