16/03/2026
De 1 a 18 de abril de 2026, no ESPÇO SANTA CATARINA, a QRAVO terápatente a seguinteexposição,:
F(R)ICÇŐES A(R)TIVISTAS
subtítulo: Exposição de arte ou ato político?
A(r)tivismo é um termo de legitimidade frágil, tanto no campo da arte como nas ciências sociais — e é justamente por isso que esta exposição o aciona. Nosso objetivo não é buscar a aprovação de um campo ou de outro, e sim questionar os critérios legitimadores de ambos. Enquanto artistas OU ativistas “”puros”” discutem a validade semântica do termo, apresentamos o trabalho de artistas E ativistas que nos ajudam a revelar essa posição híbrida e f(r)iccional, com o potencial de desviar da armadilha euro colonial da separação binária: seja entre arte e política, artista e cidadão, ética e estética, cultura e natureza, “popular” e “erudito”, objetivo e subjetivo, corpo e intelecto, tradição e vanguarda, masculino e feminino, consenso e dissenso, parcial e imparcial, representação e agência, produto e processo, rua e galeria, eu e outre. É f(r)iccional porque opera a partir do atrito que a realidade imaginada pode provocar na realidade vivida e vice-versa.
Na conferência de imprensa da Berlinale 2026, o cineasta alemão Wim Wenders, para desviar de uma pergunta sobre a falta de posicionamento em relação ao genocídio perpetrado pela ocupação israelense em território palestino, recorreu a um truque europeu clássico: a separação dualista. “Temos de nos manter fora da política, porque se fizermos filmes políticos então entramos no campo da política”, disse ele. “O cinema é o contrapeso da política. O nosso é o trabalho do povo, não é o dos políticos.”
Essa exposição todinha é uma resposta a Wim Wenders — e a todos os outros agentes da binarização euro colonial, a principal estratégia de manutenção do status quo. É uma resposta a toda estrutura epistemológica ocidental que historicamente nos fez acreditar em tantas setorizações forçadas, fronteiras arbitrárias e binarismos mutuamente excludentes: arte e ativismo, povo e política, cultura e natureza, “popular” e “erudito”, objetivo e subjetivo, corpo e mente, primitivo e civilizado, masculino e feminino, imaginação e realidade, eu e o outro.
Falamos em a(r)tivismo ainda que seja um neologismo de frágil legitimação tanto no campo da arte como nas ciências sociais — ou talvez justamente por isso. Talvez porque o nosso objetivo não seja buscar a legitimação de um campo ou de outro, e sim questionar os critérios legitimadores de ambos. Enquanto artistas OU ativistas “puros” discutem a validade semântica do termo, trazemos aqui o trabalho de artistas E ativistas que nos ajudam a imaginar essa posição híbrida e interseccional, com o potencial de desafiar processos de enquadramento fixos, separações estanques, definições cristalizantes.
Falamos também em f(r)icção porque operamos a partir do atrito que a realidade imaginada provoca na realidade vivida. Porque acreditamos no potencial artístico de desenhar rotas de escape que informam e agenciam o tangível, ainda que intangíveis. Porque rejeitamos estética sem ética.
Cada obra artivista denuncia e/ou parodia e/ou inventa um projeto de mundo.
A moldura é elástica, o vidro que protege o quadro é um prisma, e a definição é uma f(r)icção.